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Número de doações de órgãos cai 20%

Vanuza Borges

| Edição de 31 de janeiro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O número de doações de múltiplos órgãos caiu 20% na região no ano passado. Em 2015, a Central Estadual de Transplantes do Paraná (CET/PR) registrou 20 captações nos dois hospitais credenciados a realizar este tipo de procedimento, que são o Hospital da Providência, em Apucarana, e Hospital Norte do Paraná, mais conhecido como João de Freitas, em Arapongas. No ano passado, foram 16 procedimentos realizados.
O número caiu apesar da região ganhar mais uma unidade hospitalar credenciada a realizar captação de órgãos, o Hospital Bom Jesus, de Ivaiporã. Mesmo contabilizando as doações realizadas em Ivaiporã, que foram duas, o percentual fica abaixo de 2015.
O cenário regional difere do quadro geral do Estado. Segundo dados da Central Estadual de Transplantes, as captações de múltiplos órgãos aumentaram 20%, passando de 311 para 374, no mesmo período. Quando analisado o número de transplantes realizados no Paraná, o aumento é ainda mais significativo, 33%, o que representa 718 procedimentos em 2016 contra 541 no ano anterior, um número recorde.
O coordenador da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do Hospital da Providência o médico cardiologista Mateus Dias de Moura, explica que a queda está associada a vários fatores, entre eles, o número de potenciais doadores. “Mesmo assim, o Hospital da Providência está dentro da meta”, afirma. Em 2015, foram detectados 28 potenciais doadores, contra 16 no ano passado (ver infográfico). Já as doações caíram de 11 para 5.
Em Arapongas, o índice de doações tem aumentado. O número de notificações de potenciais doadores passou de 22 para 34 no Honpar, o que representa uma alta de 54%. Já as captações de órgãos passaram de 9 para 11, de um ano para o outro, representando um aumento de 22%.
A enfermeira Gredielli Rigobelo Luiz, que integra a equipe do CIHDOTT do Hospital da Providência, ressalta que a doação de órgãos envolve toda a unidade hospitalar, desde o atendimento na recepção até o corpo clínico.
A recusa familiar, cujo índice é 49% na área da 17ª Regional de Saúde, tem causa principalmente na falta de diálogo familiar. “É uma situação muito delicada para a família, que no momento de dor e por não saber a decisão daquele familiar, opta, muitas vezes, por não autorizar a doação”, comenta a enfermeira.
Por isso, ela chama a atenção para a necessidade das famílias conversarem sobre esse assunto, por mais delicado que seja. Outra situação que também deixa as famílias com receio na hora de autorizar ou não a doação é ter a certeza que o familiar não tem chances de reverter o quadro clínico.
“O Brasil é um dos países com métodos mais seguros quanto a doações de órgãos. São feitos inúmeros exames para certificar a morte cerebral, que não é reversível. A equipe de captação de órgãos precisa estar muito preparada para explicar todos os procedimentos para a família, inclusive que a morte cerebral é diferente de coma, que é reversível”, diz.


Captação de córneas tem aumento
O índice de captação de córneas aumentou 9,89% na região. Em 2015, de acordo com a Central Estadual de Transplantes, foram 91 captações. Já em 2016, o número subiu para 100. No último ano, o Hospital da Providência realizou 34 procedimentos do gênero contra 44 em 2015. Já o número de transplantes se mantém estável nos últimos dois anos, com 8 procedimentos por ano.
A enfermeira Gredielli Rigobelo Luiz, que integra a equipe do CIHDOTT do Hospital da Providência, observa que a unidade tem um dos melhores índices no ranking macrorregional de doação de globo ocular. “Tivemos 34 captações no ano passado, o que é um bom número”, argumenta.
Em 2016, o Hospital Bom Jesus, de Ivaiporã, que passou a fazer captações também de córneas, realizou 14 procedimentos. O Hospital Santa Casa, de Arapongas, que só faz captação de córneas, realizou sete.