O número de imóveis disponíveis para locação aumentou consideravelmente nos últimos meses em Apucarana e Arapongas. O índice de desocupação chega a 50% em unidades residenciais e 30% comercial, que registra maior ociosidade em armazéns industriais. A mudança de comportamento no mercado de locação tem facilitado a renegociação de contratos de aluguéis e até redução de valores, na faixa de 10%, em média. Além da alteração na tabela de preços, imobiliárias investem em benefícios para atrair novos inquilinos.
O gerente de locação de uma imobiliária de Apucarana, Fernando César Ribeiro avalia que a crise econômica impactou de forma significativa o setor de locação. “Houve um aumento de oferta de imóveis residenciais para alugar em 50%. Já salas comerciais e barracões industriais registraram 30%”, calcula. As desocupações acentuaram, segundo ele, no início do segundo semestre de 2015. “Como consequência, houve redução de 10% nos preços do aluguel”, avalia.
Para o gerente Jorge Luís da Silva, que trabalha no setor imobiliário araponguense, a oferta de imóveis residenciais apresentou uma alta de 40%. Já os comerciais ficaram na casa de 30%. Na avaliação de um dos responsáveis pelo setor de locações, também de Arapongas, Valmir Ribeiro Lopes, as taxas de desocupações foram menores, 20% e 12% respectivamente.
Já o diretor de locação de uma imobiliária apucaranense, Paulo Roberto Cunha Cravero, aposta em índices ainda menores, quando se refere ao setor residencial. “O mercado está dinâmico. Houve uma alta de oferta de 10%, no máximo”, argumenta. A situação é inversa no comercial, que apresentou 20% de desocupação.
Uma das explicações para as alterações é carteira de clientes e de imóveis das imobiliárias, mas de maneira geral, os inquilinos estão ganham espaço para negociar, em especial, os considerados bons pagadores. “De cada dez novos cadastros, apenas quatro são bons”, observa Lopes. Sabendo disso, quem está à procura de um imóvel tem tirado proveito. “Estão apresentando proposta para continuar no imóvel, algo que não acontecia antes”, afirma.
Ribeiro complementa que, em alguns casos, o valor do reajuste é negociado ou nem é repassado. A desocupação é maior em imóves com aluguéis mais altos.
DESVALORIZAÇÃO
Lopes avalia que, com essa alteração no mercado de locação, os preços dos aluguéis tendem a voltar ao que era em 2012. “Uma casa que era alugada por R$ 750 vai baixar para R$ 580”, acredita. Esse comportamento, na avaliação dele, vai reajustar os preços, após a explosão da valorização imobiliária. Esta também é a opinião de Ribeiro. “Os preços vão se adequar ao real”, acredita.
“O valor ainda não reduziu, mas já têm alguns proprietários que estão se conscientizando e baixando os preços, para não ficar com o imóvel fechado”, observa.
Benefícios para driblar crise
A crise no setor de locação tem estimulado a criatividade do setor, para atrair inquilinos. O gerente do setor imobiliário, Jorge Luís da Silva, de Arapongas, revela que tem apostado na bonificação, para não deixar imóveis fechados. “Em alguns casos, oferecemos três meses de isenção do aluguel, que é um atrativo, uma vez que ao sair de um imóvel tem uma série de gastos, como vistoria”, diz. Outra aposta são os móveis planejados, que evitam gastos com mobília.
Apesar da criatividade, a expectativa é que o setor volte a crescer de forma expressiva somente em 2017. “A desocupação é reflexo do fácil acesso ao crédito, que facilitou a compra de imóveis, além da crise econômica”, avalia o gerente de locação Fernando Ribeiro, de Apucarana.
Por outro lado, com a restrição do crédito, Valmir Lopes, que atua no setor imobiliário araponguense, avalia que ajuda a estabilizar o setor de locação, já que está mais difícil comprar uma casa ou apartamento.
Além disso, o aluguel é opção constante para estudantes, o que faz a demanda aumentar nos períodos pós-vestibular.