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Número de novas empresas cai 42% no semestre

Vanuza Borges

| Edição de 27 de agosto de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Há 15 dias, o espaço que era de um conhecido estúdio fotográfico no calçadão da Praça Rui Barbosa, em Apucarana, entre as ruas Rio Branco e Professor João Cândido Ferreira, passou a ser o novo endereço de uma pastelaria. Quem passa pelo local já percebeu a alternância de ramo. O setor gastronômico é um dos mais promissores mesmo em tempo de economia retraída. Segundo levantamento feito pela Tribuna junto ao Departamento de Tributação da Prefeitura, no primeiro semestre deste ano foram abertas 397 novas empresas na cidade. No mesmo período do ano passado foram 687, o que representa uma queda de 42%.

Imagem ilustrativa da imagem Número de novas empresas cai 42% no semestre

Por outro lado, o número de empresas fechadas manteve estável. Neste ano foram 242, contra 240 nos seis primeiros meses de 2015, o que revela uma certa estabilidade das empresas já constituídas. Contrariando a estatística, o empresário Thiago Oliveira, que está à frente do novo empreendimento na Praça Rui Barbosa, decidiu apostar no risco depois de analisar o setor gastronômico junto com os sócios.

Um dos fatores, segundo ele, que o fez tomar a decisão foi a liberação do ponto comercial, considerado estratégico. Além da localização, Oliveira revela que o investimento também tem como base a experiência na área de pastelaria já há dez anos. “A perspectiva é muito boa, mas, antes de locar o espaço, estudamos a área e também observamos se os nossos clientes passavam por aqui. É um novo empreendimento com novos clientes”, comenta.

Outro fator que contribuiu é a demanda constante. “Mesmo com a crise, o movimento na pastelaria não caiu”, garante. Oliveira atribui a procura ao preço do produto, que é acessível, mas também a qualidade da matéria-prima e atendimento.

Entretanto, o empresário reconhece que o retorno financeiro será a médio prazo e para não sucumbir às incertezas econômicas não abre mão da gestão. “Nós participamos de vários cursos antes de abrir a primeira pastelaria e os conceitos aprendidos estamos aplicando aqui também”, afirma. Além disso, a opinião dos clientes é como um “termômetro”, que aponta o que precisa ser mudado.

O secretário de Indústria e Comércio de Apucarana, Moacir Salve, avalia que o setor gastronômico funciona como uma válvula de escape. Por outro lado, o secretário frisa que a criatividade faz a diferença em qualquer setor. “A atividade na área de alimentação se sobressai até pelo estilo de vida atual das pessoas”, analisa.

Entretanto, Salve observa que todo negócio pede um planilha detalhada sobre os gastos fixos, além de saber fazer a precificação correta. Outro detalhe, segundo ele, é segmentar o negócio, pois assim saberá com mais precisão as necessidades do seu público-alvo.

Sobre quem quer abrir o próprio negócio neste período de economia mais tímida, o secretário sugere estudar a localização e negociar as salas comerciais, uma vez que demanda está maior no mercado imobiliário.

Exemplo de inovação em tempos de crise

A empresária do setor de confecções, Cristiane Castro Verela não tem motivos para reclamar da crise. Ela, que investiu no próprio negócio há dois anos, se reinventou nos últimos meses e viu as vendas deslancharem. “O único efeito da crise é a inadimplência, que tenho tomado cuidado, por isso, evito vender na promissória. Parcelo tudo no cartão, até promoções, porque é melhor pagar a taxa para a operadora a não receber”, diz.

Sobre as vendas, Cristiane garante que conseguiu duplicar de um ano para o outro. “Está bem melhor que o ano passado. Em janeiro, que é um dos piores meses, eu vendi praticamente o dobro do ano passado. Para isso, eu me dedico 100%. Corro atrás de informação, no Varejo Mais, do Sebrae, e o que me passam tento aplicar aqui”, garante.

Entre as ações, a comerciante cita que adotou araras com preços únicos ou a vitrine. “Lá na frente, eu coloco a partir de R$19,90 e, depois, quando o cliente entrar na loja, posso mostrar outros produtos com outros valores. Também não fiquei parada esperando cliente entrar. Fui para a rua fazer venda consignada”, revela.

Gestão é essencial em qualquer segmento

Para o consultor do Sebrae, José Henrique Martins, de Apucarana, gestão é fundamental para qualquer empresa em qualquer segmento. “Em todos os setores temos exemplos bem-sucedidos e casos de empresários que fecharam as portas. O diferencial está numa boa gestão. E uma boa gestão passa por todos os setores”, sublinha.

O consultor compara a gestão de uma empresa ao painel de um carro. “O painel informa cada detalhe da gestão do veículo. Caso o motorista não perceba os sinais de alerta ou não faça o que está apontando, o veículo pode parar de funcionar”, comenta.

Na avaliação de Martins, o empresário precisa ter a “empresa na mão”, ou seja, tem que conhecer o seu próprio negócio. “Não pode ter várias empresas diferentes dentro de uma. Os setores têm que trabalhar em sincronia. A empresa é um organismo vivo, que depende de todos os setores para funcionar bem”, afirma.

Além disso, ele comenta que é necessário sempre estar atento as observações dos clientes e do movimento do mercado. E claro, inovar é palavra de ordem em todos os segmentos.