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O caminho do agronegócio

Renan Vallim

| Edição de 17 de setembro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Rodovia do Café é corredor estratégico para exportações

A tão esperada obra de duplicação da BR-376, entre Apucarana e Ponta Grossa, deve reduzir acidentes, ‘encurtar’ as distâncias entre norte e sul do estado, além de trazer mais conforto a motoristas e passageiros. A obra, que começou em janeiro de 2014, está sendo realizada pela iniciativa privada, através da concessionária CCR RodoNorte, que adquiriu os direitos de administração do trecho há exatos 20 anos.
Tendo em vista que o período de concessão das rodovias paranaenses está marcado para acabar em 2021 e as tratativas sobre o futuro da administração destas vias deverá começar em breve, a Tribuna do Norte inicia neste domingo uma série de reportagens que tem como objetivo discutir a situação atual do modelo de concessão e propor um olhar para o futuro desta importante rota.
Para entendermos o papel que a BR-376 desempenha, é preciso abordar a situação da produção agrícola do Paraná e também dos estados vizinhos. Transporte e agronegócio podem parecer áreas distantes, mas na realidade são indissociáveis, sendo que um depende do outro. E o que faz da BR-376 um corredor estratégico do ponto de vista logístico chama-se Porto de Paranaguá.
Localizado no litoral paranaense, o Porto de Paranaguá é o segundo maior exportador de produtos agrícolas do país. E o envio de commodities para o exterior através do porto bate recorde atrás de recorde. Neste primeiro semestre foram 8,6 milhões de toneladas, marca nunca antes alcançada, sendo a soja o principal grão, com 5,6 milhões de toneladas.
O Porto de Paranaguá fica atrás apenas para o Porto de Santos (SP). Porém, o que diferencia os dois é que o porto paulista recebe 68% de suas cargas através de ferrovias. Já no porto paranaense, este volume é de apernas 20%. 
Ou seja, 80% de toda a produção agrícola que chega em Paranaguá para ser despachada a outros 170 países, com destaque para a China, vem através de caminhões.

Produção bate recorde no PR
De onde vem toda esta produção despachada pelo Porto de Paranaguá? Boa parte é do próprio Paraná, que registrou no último levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a produção de 41,5 milhões de toneladas de grãos. O ministério colocou o estado na segunda posição entre os que mais produziram no período.
Tendo em vista que a rede rodoviária é fundamental para a chegada de toda essa produção ao Porto de Paranaguá, Adriano Nunomura, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), destaca a importância da BR-376. “Sem dúvidas, a rodovia é a principal rota de ligação da produção agrícola ao Porto de Paranaguá. Ela é parte importante do processo de produção agrícola no estado, pois escoa toda essa produção”, ressalta.
Segundo ele, a rodovia em questão é parte integrante do processo de comercialização dos produtos agrícolas, sobretudo para outros países. “De nada adianta modernidade e alta produtividade ‘da porteira para dentro’, se o escoamento de produção não funciona. A duplicação, quando finalizada, será vital para o aumento da eficiência agrícola do nosso estado, pois vai aumentar a rapidez com que os caminhões chegam ao porto, diminuindo perdas e reduzindo custos”, destaca.
Aumento na eficiência é tudo o que as empresas de agronegócio precisam para melhorar ainda mais os números do setor. É o que ressalta o gerente de produção de uma cooperativa agroindustrial de Apucarana, Eleutério Roncato Neto. “A duplicação da BR-376 é muito aguardada. Ela deverá trazer mais agilidade no escoamento da produção, reduzindo custos”, afirma. A unidade da cooperativa será impactada diretamente pela obra, visto que ela fica às margens da BR-376.

Crise passa longe 
do agronegócio
Não é segredo para ninguém que o país passa por uma de suas maiores crises econômicas. No entanto, o que pouca gente sabe é que a situação poderia estar ainda pior se não fosse a agricultura. O Produto Interno Bruto (PIB) da atividade agropecuária cresceu 14,9% no segundo trimestre deste ano em relação a igual período de 2016, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o principal motivo pelo qual o PIB brasileiro ficou positivo, em meros 0,3%, no mesmo comparativo.
A previsão de safra do país na temporada 2016/2017 é de 232 milhões de toneladas, contra 186 milhões no período anterior. Com safra recorde, as exportações do agronegócio brasileiro no acumulado de janeiro a agosto deste ano somaram US$ 60,44 bilhões, o maior valor para o período dos últimos três anos. Em relação aos primeiros oito meses do ano passado o crescimento foi de 8,3%.
Só as exportações de produtos do complexo soja somaram US$ 25,79 bilhões entre janeiro e agosto de 2017, um valor que só foi menor em relação ao recorde obtido em 2014 (US$ 27,25 bilhões).

Produção do Mato Grosso passa pela Rodovia do Café

O estado do Paraná só fica atrás do Mato Grosso em produção agrícola, aponta o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O estado do Centro-Oeste brasileiro produziu, nesta última safra, aproximadamente 58 milhões de toneladas. No entanto, o Paraná também se beneficia com a grande safra mato-grossense. Isto acontece porque ela também é exportada através do Porto de Paranaguá, atravessando o estado através da BR-376.

“Não há dúvidas de que a BR-376 é uma das principais vias do Sul do país. Por ela, passam milhares de caminhões rumo ao porto levando, além da imensa produção paranaense, a de outros estados também, como a do Mato Grosso. Por muito tempo, ela apresentou trechos muito antigos e que agora estão sendo modernizados. Isto significa facilidade de escoamento. É uma rodovia importante não apenas para o Paraná, mas para o Brasil”, ressalta José Francisco Lacerda, coordenador regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).