Tragédias recentes envolvendo ônibus nas estradas do Brasil chamaram a atenção para a grande quantidade de pessoas que precisam pegar a estrada para estudar. Enfrentando vários quilômetros, na maioria das vezes através da noite e depois de uma jornada de trabalho exaustiva, esses estudantes relatam o risco das rodovias brasileiras e o medo constante de acidentes.
Há um mês, dezoito pessoas morreram após um acidente envolvendo um ônibus fretado que levava estudantes universitários. O veículo capotou em uma curva na noite do dia 8 de junho na Rodovia Mogi-Bertioga, no limite entre as cidades paulistas de Mogi das Cruzes e Bertioga, interior de São Paulo.
Três dias depois, na PR-445, próximo a Londrina, um ônibus tombou, matando três passageiros. De acordo com a PRE, o ônibus da empresa Brasil Sul saiu de Florianópolis, em Santa Catarina, e seguia para Londrina. Apesar de são ser um veículo dedicado ao transporte de estudantes, o acidente mostra que os perigos também existem nas rodovias da região.
Heloísa Freitas Saran, de 18 anos, é auxiliar de escritório em Arapongas ao longo do dia. No entanto, todas as noites ela enfrenta a BR-369 para cursar Pedagogia em Apucarana. “Acho bastante perigosa [a estrada]. Às vezes dá bastante medo. A irresponsabilidade dos motoristas é a pior coisa. É fácil ver alguns deles fazendo manobras irregulares, freando bruscamente, não dando sinal...”, afirma ela.
Cursando o segundo ano de Letras, o tapeceiro Renato Braz de Moraes, de 21 anos, sai de Cambira para Apucarana todos os dias. Apesar da distância não ser tão grande (cerca de 25 quilômetros), ele afirma que os riscos são potencializados pelo estado de conservação de alguns ônibus. “O ônibus que estamos vindo neste ano é melhor, mas o do ano passado era sofrível: não tinha cinto, o motor falhava, faltava manutenção. Uma vez perdi a aula porque o pneu furou e, mesmo depois de trocar, o motor não pegava. Acho que o estado de conservação dos ônibus é o que mais dá medo”.
De Sabáudia, Hanna Lorena, de 28 anos, cursa o quarto ano de Letras em Apucarana. Ela lembra que as condições climáticas também afetam. “Se a estrada já é perigosa em condições normais, imagina quando chove ou faz neblina? Infelizmente, não podemos faltar na aula, então acabamos nos colocando em risco, não há o que fazer”.