ue nosso país está passando por uma ebulição política e social, acredito que ninguém conteste. Mas um acontecimento recente merece um pouco mais de reflexão. A selvageria dos torcedores flamenguistas do último dia 13 é algo revelador de uma sociedade com problemas que extrapolam o entorno do Maracanã. O escritor alemão Goethe tem uma frase substancial: “Nada mais assustador que a ignorância em ação”. Mas, por que há tantos ignorantes (vândalos, intolerantes, homofóbicos, sexistas etc)?
Alguns dados podem ajudar na explicação. A cada uma hora, sete pessoas são assassinadas no Brasil, e pouco mais de 70% da população carcerária não concluiu o ensino fundamental, são dados de 2016. Esses números justificam a onda de violência? Não. Mas, explicam até certo ponto. O intelectual Bertolt Brecht corrobora com um pensamento icônico “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.”
Olhando para as estatísticas percebemos claramente que nosso país é hostil, portanto, a primeira solução que nos vêm à cabeça é de potencializar o uso das forças policiais, ou ainda, como absurdamente comenta-se, o exército nas ruas para manter a ordem; nada provável. Medidas como essas já foram tomadas, mas como comprovamos, são circunstanciais, políticas (de politicagem mesmo) e, sobretudo, efêmeras.
Contudo, se investimento em segurança pública traz uma solução momentânea, o aporte em educação certamente resolverá esse problema endêmico, mas infelizmente, a médio e longo prazo. Dois países que pensaram, e pensam dessa forma, determinando a educação como escopo, foram a Coreia do Sul e Finlândia – nações politicamente extremas – são grandes exemplos para nossos líderes. Os sul-coreanos em menos de 40 anos deixaram de ser um dos países mais pobres do mundo para se transformarem em uma potência global. Já os finlandeses, olham para a educação há bastante tempo, e o país, como sabemos, está muito bem. Vale a pena mencionar mais um ponto convergente entre eles, o pilar que sustenta os dois modelos, é o mesmo: seleção e formação de professores de ponta, com reconhecimento profissional e boas condições de trabalho.
Mas, no país tupiniquim uma medida como essa me parece impensável. Em uma pesquisa com países membros da OCDE (Organização para cooperação Desenvolvimento Econômico), o professor brasileiro, no que tange a questão salarial, fica a frente apenas da Indonésia, das 34 nações participantes. Holerites à parte, além do investimento profissional, não menos importante, é o estrutural, as salas estão em condições precárias, falta de bibliotecas (isso mesmo, escola sem biblioteca), quadras esportivas danificadas, tecnologia obsoleta, alimentação racionada etc.
Portanto, enquanto se acreditar que uma medida extrema trará tranquilidade definitiva a nossos lares, assistiremos outras tantas vezes um homem atropelado, caído ao chão, sendo roubado. Cena máxima do esdrúxulo acontecimento no Maracanã. Cabe aqui uma citação exemplar de Paulo Freire, “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor.” Educação, meus caros, educação.