Algumas épocas do ano vemos uma atenção maior em determinadas relações sociais como, dia das mães, dia dos pais, dia dos avós, dia das crianças, casamentos, aniversários e por aí a fora. Demonstrações de carinho, afeto e amor nos fazem ficar emotivos nestas datas especiais. Eu sempre falo que sou muito emotiva e assim justifico as minhas lágrimas que correm pelo meu rosto sem limites para parar.
Quantas mensagens inspiradoras, emocionantes e de superação nos deparamos ao acessar as redes sociais nessas datas? Quantos textos, fotos e vídeos carregados de sentimento ou sentimentalismo são postados? Tudo o que vemos está sendo sentido de forma real?
Nos últimos 10 anos vimos as redes sociais se multiplicarem e evoluírem com o avanço de apps e das soluções de comunicação à distância. Em 2020 a Techtudo nos apresentou que algumas plataformas, como Facebook, LinkedIn, WhatsApp e Twitter, cresceram exponencialmente com a incorporação de novos recursos, e sabemos que esses recursos não vão parar por ai.
Percebemos os avanços tecnológicos acontecerem, mas será que as relações sociais estão acompanhando esse avanço de forma positiva? Toda situação tem mais de um olhar, mais de um ângulo a ser analisado. Sabemos que as redes sociais nos auxiliam a nos aproximar de quem estamos distantes de localização geográfica, mas também tem uma grande possibilidade de nos distanciar de quem está ao nosso lado.
Quando paramos para fazer uma homenagem as vezes demoramos mais tempo nos atentando a produção, ao saudosismo, a aparência das pessoas expostas, do que de fato se fazer presente, com uma visita, com um abraço apertado, com uma ligação de vídeo para sentir que está mais perto ainda. E no caso para aqueles que já não estão aqui entre nós, as homenagens, as memórias devem procuram a linha de pensamento e a sensação de que enquanto aqui estava e também me fiz presente.
Penso que as homenagens públicas são maravilhosas e inspiradoras a tantas pessoas que talvez nunca tivessem imaginado a importância de perceber e expor os sentimentos aos outros, mas aqui coloco a minha observação e um pedido de reflexão sobre os textões e vídeos de superprodução para as datas comemorativas, para que possamos nos dedicar, cada vez mais, em estarmos em presença, estarmos de corpo e alma quando temos a oportunidade.
Vamos além. Façamos uma autoanalise: precisamos de datas para dizer sobre o que sentimos e pensamos; sobre estar presente em presença com as pessoal ao nosso redor. Os momentos são únicos e, se pararmos para pensar, já passou e tudo fica em um passado que não precisa ser de ressentimentos ou arrependimentos.
Ao longo dos meus 35 anos de vida fui percebendo e sentindo a importância de estar em presença, percebendo detalhes, sentindo aromas, curtindo abraços, trocando olhares, observando quem me acompanha, apreciando momentos de pausa em uma respiração profunda, contemplando a natureza, estando atenta ao momento certo para a piada, me aceitando, assumindo a minha personalidade, tocando fisicamente e emocionalmente, me transformando e transformando por onde passo. Experimente e se permita estar em presença!