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ONG atende mil pacientes em Arapongas

CINDY ANNIELLI

| Edição de 18 de outubro de 2015 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Imagem ilustrativa da imagem ONG atende mil pacientes em Arapongas

Edna (à direita) criou um vínculo de amizade com os funcionários da casa de apoio | Foto: Delair Garcia

Quem vê o sorriso e o alto astral da araponguense Edna Aparecida Merigui, 54 anos, fica impressionado ao conhecer sua história de vida. Nos últimos 16 anos, ela recebeu três diagnósticos de câncer. O primeiro exame foi realizado em 1999, quando ela ainda morava na capital de São Paulo e trabalhava como funcionária pública. Edna conta que certa vez acordou no meio da noite com uma hemorragia em um dos seios e descobriu que estava com câncer de mama. Na mesma época, a irmã dela também enfrentava um câncer no intestino e acabou falecendo, o que abalou ainda mais a família. A morte da irmã somada as complicações de saúde e as dificuldades financeiras que surgiram por conta do tratamento fizeram Edna, o marido e dois filhos decidirem se mudar para Arapongas.

“Minha filha vendeu o carro para ajudar a pagar as sessões de quimioterapia e os medicamentos que eram caríssimos. Então decidimos mudar para Arapongas, onde está a minha mãe e outros familiares. Então pedi exoneração do cargo e saí sem direito algum”, conta.

Edna venceu o câncer de mama, porém, logo após a mudança de cidade, recebeu a notícia que tinha 4 tumores no intestino e, tempos depois, foi diagnosticada com câncer de pele. Sem condições para arcar com os tratamentos, ela procurou ajuda em uma instituição que ajudava pessoas com câncer que acabara de ser fundada: a Casa de Apoio Madre Tereza.

“Fui a oitava pessoa a ser cadastrada e hoje eles são tudo pra mim, são minha família. Tudo o que eu preciso consigo através da casa de apoio, desde medicação, exames e até um ombro amigo”, emociona-se. Edna estima que gastaria R$ 4 mil por mês só com medicamentos.

“Quando a gente descobre um problema sério, não tem como esperar o SUS. Por isso a manutenção da casa de apoio é muito importante para que muitas pessoas como eu, que precisam muito, continuem recebendo ajuda”, assinala.

A Casa de Apoio Madre Tereza (organização não governamental sem fins lucrativos, de caráter assistencial, beneficente, educacional e de saúde) foi fundada em junho de 2004, com objetivo de ajudar pessoas em tratamento de câncer que estejam passando por dificuldades financeiras. De lá pra cá mais de 3 mil famílias já foram beneficiadas. A assistente social da entidade, Jamile Fanzin, conta que no começo, a procura era menor, sendo apenas um cadastro registrado por dia. Hoje cerca de três pessoas são cadastradas por dia na entidade. Atualmente são mais de 1 mil pacientes acompanhados em 35 municípios que incluem cidades do Vale do Ivaí como Apucarana, e outras cidades da região de Arapongas.

“A demanda de câncer aumentou muito, porém, existe grande rotatividade porque alguns pacientes se recuperam e outros, infelizmente, vão a óbito”, diz.

Inicialmente, o atendimento era voltado a portadores de câncer, no entanto, devido as necessidades apresentadas, engloba também pessoas com outras doenças crônicas e idosos em situação de vulnerabilidade social. Além do fornecimento de medicamentos, exames, entre outros benefícios, a casa promove trabalhos em grupo, palestras e campanhas socioeducativas, visando o bem estar e a qualidade de vida dos usuários e respectivos familiares.

“Nós contamos apenas com a generosidade e a caridade da população para que o serviço continue sendo prestado”, assinala.