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Ônibus de Apucarana recebem diesel

Renan Vallim

| Edição de 30 de maio de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022
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A Viação Apucarana Ltda. (VAL), que realiza o transporte coletivo na cidade, conseguiu receber ontem cerca de 30 mil litros de óleo diesel. O caminhão-tanque com o produto estava retido em bloqueio por conta da greve dos caminhoneiros, na BR-376, no Distrito de Aricanduva. O veículo só foi liberado após intervenção do comandante do 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Apucarana. O carregamento foi o único que conseguiu passar pelos bloqueios e entrar na cidade.

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O caminhão-tanque utilizado para reabastecer os ônibus do transporte coletivo de Apucarana foi barrado no distrito de Aricanduva, mesmo escoltado pela PM. Ele permaneceu às margens da BR-376 do fim da manhã até o meio da tarde. De acordo com os caminhoneiros, como a carreta não tinha liminar concedida pela Justiça, não teria a passagem liberada.
Reforço foi chamado e, às 15 horas, quatro viaturas chegaram ao local. Em uma delas estava o major Roberto Cardoso, comandante do 10º BPM. Após 15 minutos de conversa com os manifestantes, houve a liberação do caminhão. “Antes mesmo da empresa conseguir a liminar, os manifestantes entenderam que a finalidade para aquele combustível era atender o povo. A conversa foi tranquila, já que os caminhoneiros são pessoas da comunidade, conhecidos por nós”, afirmou o major.
Um dos caminhoneiros que organiza o bloqueio, que não quis se identificar, afirmou que os manifestantes preferiram liberar a carreta para não causar maiores tumultos. “Quisemos por bem deixar que o caminhão seguisse viagem, para não criar nenhuma confusão”, disse.
Apesar disso, membros da imprensa foram hostilizados nas manifestações. A equipe de reportagem da Tribuna foi intimidada por manifestantes no local. Já em outro bloqueio, na BR-376, em Apucarana, próximo ao Posto Catarina, um cinegrafista de uma emissora de TV local foi agredido.
O diretor da VAL, Roberto Jacomelli, explica que o combustível será suficiente para a empresa atuar com tranquilidade até o fim da semana. “Não sabemos exatamente até quando este combustível será suficiente. Vamos abastecer e rodar com 100% da frota e avaliar o consumo. A situação é atípica, visto que o nosso abastecimento é diário”.
Quando o caminhão já havia sido liberado, uma liminar foi concedida à empresa pela 1ª Vara Cível de Apucarana. “O nosso pedido foi mais amplo, mas o juiz achou por bem incluir na liminar apenas este caminhão. Estamos buscando alternativas legais para que não precisamos solicitar uma liminar toda vez que quisermos reabastecer os tanques dos ônibus”, destacou Jacomelli.
Até o fechamento desta edição, nenhum outro caminhão foi liberado para abastecer os postos de Apucarana. Com isto, até ontem, nenhum posto tinha combustível, diferentemente de várias outras cidades do Paraná, como Londrina e Curitiba, onde o abastecimento começou a ser normalizado. Atualmente, existem 284 bloqueios nas rodovias do estado, sendo 177 em estradas estaduais e 107 em federais.

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Liminar garante carregamento de gasolina e diesel em Ivaiporã
O Posto Panorama, de Ivaiporã, recebeu na noite de anteontem (28) um carregamento de gasolina e óleo diesel. O Ministério Público da Comarca local conseguiu uma liminar junto a Justiça concedendo a escolta pela Polícia Militar (PM) do combustível que estava bloqueado em uma barreira na greve dos caminhoneiros, no município de Guarapuava. 
No entanto, o abastecimento de gasolina só foi liberado para veículos oficiais como ambulâncias, bombeiros, polícia e serviços essenciais da Prefeitura e do Estado. Já o diesel está sendo comercializado para a população, sem restrições. 

Conforme o proprietário do estabelecimento, Leonidas Elmar Schon, a reserva de gasolina que havia sido deixada para os serviços essenciais da cidade estava se esgotando. “A coisas essenciais como o patrulhamento policial, o Corpo de Bombeiros, o Samu e serviço de saúde estavam começando a virar problema. A reserva que havíamos deixados para esses serviços estava em torno de 100 litros de gasolina e uns 200 de diesel. Como tínhamos esses caminhões bloqueados na barreira, o Ministério Público foi quem tomou a decisão”, explica. 
Ele explica ainda, que o diesel liberado é o S500, pouco utilizado pelos veículos dos órgãos oficiais. “A maioria das viaturas e ônibus da frota escolar utilizam o S10 e este caminhão só tinha o S500. Por isso, o diesel esta sendo utilizado, principalmente pelo pessoal da agricultura que estava com o plantio de trigo pela metade. Hoje (ontem), a gente atendeu muitos agricultores que retornaram ao plantio”, relatou Schon. 
(IVAN MALDONADO)

Manifestantes ‘travam’ carreta
Em outro bloqueio da BR-376, entre Apucarana e Cambira, manifestantes fizeram um ‘cordão humano’ para impedir que dois caminhões-tanque fossem escoltados pela PM e abastecessem postos de combustíveis da cidade. Os manifestantes afirmaram que não havia liminar, ignorando o acordo firmado entre categoria e governo do estado.
Os dois caminhões-tanque foram bloqueados no início da tarde de ontem, afirma Adriano Vieira de Souza, caminhoneiro há 12 anos e também um dos coordenadores do bloquei. “Nós sentamos em volta dos caminhões para evitar que eles ‘furem’ o bloqueio. Sem liminar, nenhum caminhão vai passar. O acordo do governo estadual não nos representa, porque não temos sindicato. Só saímos daqui quando nossas reivindicações forem atendidas”, diz.
Ele afirma que o apoio da população está sendo fundamental para manter o bloqueio. “Tem muita gente de longe que está aqui e não irá embora enquanto não acabar as manifestações. O suporte das pessoas, doando alimentos e aderindo à nossa causa, tem sido muito importante”, diz.

Prefeitura de Apucarana mantém expediente
O prefeito de Apucarana, Beto Preto (PSD), decidiu ontem manter o expediente na prefeitura e em todo o setor de saúde pública, incluindo as unidades básicas de saúde hoje. “Se, no decorrer do dia, for constatada alguma dificuldade mais extrema, iremos reavaliar a situação”, disse ele.
Já a Autarquia Municipal de Educação (AME) comunicou que estão suspensas as atividades a partir de hoje em todas escolas e CMEIs da rede, que atendem 11 mil alunos. A prefeitura afirma ainda que, se as condições de abastecimento forem normalizadas até o final de semana, as aulas podem ser retomadas na próxima segunda-feira (4).