Um ex-delegado - que já chefiou a 22ª Subdivisão Policial (SDP) de Arapongas - foi preso ontem em operação que apura a exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro. O mandado de prisão foi cumprido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga o esquema, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil. Também foram cumpridos três mandados de busca e apreensão nas casas de suspeitos e no escritório de advocacia que o delegado aposentado mantinha com um sócio, policial civil também aposentado que atua como advogado. O ex-delegado da 22ª SDP está preso em cela especial na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) I.
De acordo com o coordenador do Gaeco, promotor Jorge Barreto da Costa, a investigação tenta descobrir que tipo de ligação o delegado tinha com o esquema, qual o tempo de relação e valor da propina paga a ele. Segundo o promotor, há indícios de que o ex-delegado forneceu informações sigilosas aos criminosos, referentes a operações e investigações sobre a prática do crime de jogos de azar.
Segundo o Gaeco, o delegado aposentado teria ocultado provas e retirado diversos elementos probatórios do apartamento em que residia em Arapongas com a ajuda da esposa e de um sócio. Parte do material teria sido depositado em um veículo deixado em uma oficina mecânica na mesma cidade, sendo posteriormente localizado e apreendido.
A justiça determinou a imposição de medida cautelar proibindo a esposa e o sócio de manterem contato entre si e com os demais investigados e testemunhas. “As provas ocultadas podem conter informações do tempo que perdurou o esquema de recebimento de vantagens e o que o ex-delegado fez para proteger ou beneficiar esquema de jogos de azar”, explica o promotor.
Além da casa do ex-delegado, o Gaeco também cumpriu mandado de busca em um escritório de advocacia mantido em sociedade entre os dois policiais. Buscas também foram feitas na casa do policial aposentado.
INVESTIGAÇÃO
A investigação, iniciada em 2020, apura o funcionamento de um possível esquema de corrupção de policiais na 22ª SDP de Arapongas que supostamente receberiam propinas mensais para não atuarem no combate ao jogo do bicho na cidade.
Com a apreensão de celulares de agentes públicos, identificados na primeira fase da operação. A polícia também obteve acesso a informações de um celular de uma servidora da prefeitura de Arapongas que estava trabalhando na delegacia da cidade e que seria o elo de ligação entre os policiais e o responsável pelo jogo do bicho.