Os pedidos de seguro-desemprego feitos nas Agências do Trabalhador de Apucarana, Arapongas e Ivaiporã caíram em média 6,7% no ano passado, em comparação com 2016. Especialistas afirmam que este é um dado positivo, mas deve ser analisado com cautela. Apesar da redução de requerimentos, os benefícios aprovados cresceram quase 22% no mesmo período. Os dados são da Secretaria Estadual da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos.
Em 2017, o número de pedidos de seguro-desemprego nos três municípios foi de 13,9 mil, número 6,7% menor do que os 14,9 mil pedidos feitos em 2016. A maior queda foi em Arapongas, que passou de 6,2 mil para 5,4 mil pedidos, redução de 13,5%. Em Apucarana, a diminuição foi de 5,3%, passando de 7 mil para 6,6 mil requisições. Ivaiporã foi a única cidade com aumento, passando de 1,6 mil para 1,8 mil (alta de 13,3%).
De acordo com o gerente da Agência do Trabalhador de Apucarana, Rodrigo Lievore, a queda na procura pelo benefício foi sentida no ano passado. “A procura realmente caiu em 2017 e podemos ver que ela continua baixa neste início de 2018. Acreditamos que, hoje em dia, há uma maior estabilidade no mercado de trabalho, com queda nas demissões. A economia vem se recuperando, ainda que lentamente da crise, o que se reflete no emprego e, consequentemente, no seguro-desemprego”, aponta.
Economista do campus de Apucarana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Rogério Ribeiro acredita que a redução de pedidos é um dado positivo, mas que é preciso ser analisado com cautela. “Não podemos deixar de colocar estes números em perspectiva. Temos que colocar a conjuntura do mercado em consideração. Os pedidos de seguro-desemprego são diretamente ligados ao número de demissões, que vem caindo”.
No entanto, ainda é cedo para comemorar, segundo Ribeiro. “Mesmo com o número de demissões caindo, o índice de desemprego continua alto, apesar das Agências do Trabalhador estarem ofertando vagas. Ou seja, muitas vagas não são preenchidas por falta de qualificação profissional e não vejo o poder público agindo com o vigor necessário para contornar este problema. Há outro problema: pessoas que já acessaram o benefício e, passado o período de recebimento do seguro-desemprego, não conseguiram voltar ao mercado. Estamos com dificuldade no reemprego, o que é muito grave”, destaca.
Concessão de benefícios cresce
Apesar da queda no número de requerimentos, os benefícios aprovados cresceram 21,9%. A região passou de 9 mil concessões de seguro-desemprego para 11 mil. A maior alta foi em Ivaiporã, que passou de 900 em 2016 para 1,4 mil no ano seguinte (60,6%). Depois ficou Apucarana, que saltou de 4,1 mil para 5,3 mil, crescimento de 28%. Em Arapongas, o índice ficou em 7%, passando de 4 mil para 4,3 mil benefícios concedidos.
Isto aconteceu porque o Governo Federal adotou várias mudanças na forma de concessão do seguro-desemprego em 2016. No período, apenas seis em cada dez pedidos eram aprovados. Em junho de 2016, a Tribuna noticiou a dificuldade que algumas pessoas passaram para conseguir o benefício.
Após a unificação dos Ministérios do Trabalho e da Previdência Social, ocorrida em abril daquele ano, um novo sistema virtual foi implantado nas Agências do Trabalho de todo o Brasil. O novo sistema fazia com que muitos trabalhadores, alguns com mais de 15 anos de serviço, fossem recusados sob a justificativa de que não teriam trabalhado o período mínimo necessário para o benefício, que é de seis meses.
Após a correção do sistema, o índice de concessões do benefício voltou ao patamar considerado normal. Em 2017, de cada dez pedidos, oito foram aprovados.