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Pedreiros denunciam falta de salário

Vanuza Borges

| Edição de 27 de abril de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Oito trabalhadores nordestinos deixaram suas famílias no Maranhão e no Sergipe em busca do sonho do emprego com carteira assinada e salário em dia em Apucarana. Porém, o que encontram por aqui foi outra realidade. Com salários atrasados, alojamento improvisado e alimentação insuficiente, o grupo de trabalhadores resolveu denunciar ontem a situação ao Ministério do Trabalho. Ontem o sindicato da categoria fez uma vistoria no alojamento e constatou as denúncias.

Imagem ilustrativa da imagem Pedreiros denunciam falta de salário


Os pedreiros foram contratados por um empreiteiro terceirizado para trabalhar no Residencial Solo Sagrado, região Norte de Apucarana. A obra é de responsabilidade da Construtora Prestes.
Os profissionais foram contratados pela LM Magalhães, de Arapongas, e estão alojados em uma casa no Núcleo Habitacional Sanches dos Santos. No local, beliches rudimentares, construídas pelos próprios trabalhadores, colchões sujos e extremamente finos. Nos quartos não há cobertores, o que tem gerado preocupação porque os trabalhadores também não têm agasalhos de frio, uma vez que vieram de uma região quente.
Na cozinha, uma mesa, uma geladeira, fogão e uma televisão. Os trabalhadores alegam que a comida que recebem não é suficiente, mas, com os salários atrasados, dizem que pouco podem fazer. “Resolvemos levar o caso ao Ministério do Trabalho, em Londrina, porque não sabemos mais o que fazer”, diz o pedreiro Wilton Diniz da Costa, de 28 anos. Por não morarem na região, eles desconheciam que Apucarana tem uma Vara do Trabalho e é sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Apucarana (Sticma).
Costa diz que chegou de Santa Helena, interior do Maranhão, no início do mês, e até ontem não havia sido registrado tão pouco recebido o vale. “Parei de trabalhar sexta-feira. Prometeram uma situação e chegamos aqui é outra”, afirma.
Segundo os trabalhadores ouvidos pela reportagem, o empreiteiro da LM Magalhães, de Arapongas, prometeu a eles alojamento, comida e salário com carteira assinada. “Eu cheguei em fevereiro, mas até hoje só recebi o valor de meio salário”, diz Marcos Luiz Torres Pavão, 23, também de Santa Helena.
O também pedreiro Valdison de Jesus de Andrade, 23, que veio do Sergipe em janeiro, também reclama que, apesar de ser registrado, o pagamento está atrasado. “É complicado, porque preciso enviar dinheiro para minha família. Sou casado e tenho dois filhos. Pedi até para venderem a minha moto para irem se virando”, relata.
Dos oito trabalhadores, quatro estão sem registro. Eles chegaram basicamente em janeiro e fevereiro e abril. Alguns pegaram dinheiro emprestado para pagar a viagem. “Nunca aconteceu uma coisa assim de ficar jogado, sem receber. Eu ainda estou trabalhando, mas estou pensando em parar. Nós só queremos receber o que foi prometido”, diz.
Na avaliação do presidente do Sticma, Ataíde Botelho, a vistoria constatou irregularidades. “Vamos formalizar amanhã (hoje) a denúncia ao Ministério Público do Trabalho. Também vamos acompanhar a situação de cada trabalhador junto à Construtora Prestes, que é a responsável pelo empreendimento e tem responsabilidade também”, diz.

Construtora promete fiscalização
Em nota, a Prestes Construtora e Incorporadora, com sede em Ponta Grossa, informa que toma todas as medidas de fiscalização em relação ao trabalho de seus fornecedores. Entre elas está a conferência de pagamento dos funcionários no mês anterior, bem como seus encargos trabalhistas, para que então possa ser efetuado o pagamento do mês subsequente.
Além disso, através do documento, a Prestes diz que institui normas contratuais que sejam capazes de garantir o direito dos empregados, estabelece controle de acesso ao canteiro, garantindo somente que os contratados com registo em carteira possam executar as funções.
Na nota a construtora diz ainda que vale lembrar que as documentações, registros e atribuições de sua competência estão em dia com todos os órgãos públicos responsáveis e aptos à fiscalização a qualquer momento. Porém, a empresa garante que irá intensificar o supervisionamento das exigências legais de seus contratados para garantir o pleno exercício do direito dos trabalhadores.