Uma empresa familiar de Apucarana foi atacada por hackers há cerca de uma semana. De acordo com um dos proprietários, que pediu para não ser identificado, o sistema da empresa teria sido invadido e todos os arquivos foram codificados, incluindo dados de clientes e a movimentação financeira da própria empresa. Apesar de ser um crime raro de acordo com dados do Núcleo de Combate aos Cibercrimes (NUCIBER) da Polícia Civil do Paraná, o fato mostra que mesmo empresas menores estão sujeitas a ataques cibernéticos.
A empresa, que vende artigos de segurança, teve o servidor invadido através de um vírus, como explica um dos proprietários da empresa. “O vírus fez com que todos os arquivos do servidor fossem criptografados, ou seja, os arquivos continuaram no servidor, mas nós não conseguíamos ter acesso a eles”, conta.
Logo em seguida, a empresa recebeu um e-mail. “O hacker entrou em contato conosco, dizendo que nos daria a senha de acesso aos dados do nosso servidor mediante pagamento. Ele pedia dinheiro através de Bitcoins, uma moeda virtual que não pode ser rastreada. Por se tratar de arquivos importantes, aceitamos os termos e enviamos a ele o dinheiro”, relata o empresário, que acredita que o ataque veio do exterior, uma vez que o hacker se comunicava apenas em inglês.
O valor transferido foi de 2 Bitcoins, o que equivale a aproximadamente R$ 3,7 mil. No entanto, a extorsão continuou. “O hacker não cumpriu com a palavra e pediu mais dinheiro. Foi quando cortamos a comunicação com ele e desistimos”, diz. Segundo ele, a empresa perdeu cerca de 45 dias de dados, como informações de clientes e fornecedores, registros de pedidos, compras, vendas, entre outros. “Nunca imaginamos que seríamos alvo de um ataque dessa magnitude. Já havia ouvido falar nesse tipo de crime, mas pensei que acontecia apenas com empresas maiores”, conta.
A empresa apucaranense foi vítima do crime de extorsão, prática rara de acordo com o NUCIBER. Dos 177 inquéritos registrados de janeiro deste ano até 22 de maio na delegacia do Núcleo, apenas dois foram de crimes de extorsão, ou 1,1%. A grande maioria das investigações envolvem furto qualificado, que representou 80,8% dos inquéritos do período, ou 143 casos. Casos como esse geralmente são de hackers que invadem o computador pessoal da vítima e realizam transferências bancárias. Outros 19 registros são de casos que envolvem pornografia ou sexo explícito com crianças ou adolescentes, o que representa 10,7% do total.
Os crimes de extorsão, quando ocorrem no meio virtual, são difíceis de serem rastreados. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil paranaense, o procedimento recomendado em casos desse tipo é procurar a polícia o quanto antes.