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‘PEQUENOS’ EM CRISE

Da Redação

| Edição de 11 de junho de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O Covid-19 gerou grande impacto na economia em todos os setores, mas microempreendedor individual (MEI) está entre os mais prejudicados. Para sobreviver à pandemia, profissionais precisam se reinventar e criar novos modelos de negócios. E apesar das linhas de crédito disponibilizadas pelo governo para ajudar reerguer o setor, o receio do futuro é um desafio para os empreendedores. 
Consultora do Sebrae Apucarana, Beatriz Aparecida Poletto, afirma que o microempreendedor individual é o público mais atingido pela pandemia em questão de negócios, com perda de faturamento e dificuldade em se manter no mercado. “Além de perder a renda, o microempreendedor não consegue manter os negócios, tendo que fazer demissões. Em muitos casos, não consegue oferecer serviços ou produtos pela série de restrições impostas pelo governo por conta da pandemia. Isso tem gerado uma queda muito drástica de renda”, analisa.
De acordo com ela, para arcar com as contas e continuar no mercado, muitos microempreendedores recorreram ao auxílio de crédito e consultorias. “Na consultoria os microempresários recebem orientações de como acessar o crédito, como reduzir custos, melhorar capital de giro. Contudo, há uma incerteza muito grande, muitos têm medo de acessar o crédito, pois não sabem até quando a pandemia se estenderá e se terão condições de fazer o pagamento”, ressalva.  
Por outro lado, a pandemia também fez muitas microempresas se reinventarem, mudando a forma de trabalhar e aderindo a novas ferramentas tecnológicas, como as redes sociais. “Muitos têm buscado conhecimento dessa questão das mídias e dessa transformação digital. É um mal necessário que veio para ficar. A tendência é que os prestadores de serviço mudem a visão dos negócios, desenvolvendo a criatividade, atingindo novos clientes em mercados que eles antes não tinham buscado”, avalia.
 LINHAS DE CRÉDITO
Segundo o secretário municipal de Indústria e Comércio de Apucarana Edison Estrope, até o momento em torno de 700 micro e pequenas empresas foram contempladas pelas linhas de crédito do programa Paraná Recupera. 
“Apucarana está dando assistência a esses microempresários, porque o pequeno negócio é muito dependente da população e do mercado interno. Então não teve alternativa a não ser reduzir vendas. Por isso várias empresas estão buscando o Paraná Recupera para não ficar sem recurso nenhum”, assinala.
O objetivo da prefeitura e regularizar em torno de 1 mil cadastros nas linhas de crédito do programa. “ A prefeitura está ligando para escolas particulares, de idiomas, entre outras,  para ver quem quer captar os recursos. Estamos dando todo amparo para superar este momento de dificuldade”, assinala. 

O microempresário Dirceu da Silva Moreno Junior, 28 anos, de Apucarana, sentiu nas finanças o impacto da Covid-19. Ele é proprietário de uma empresa e confecção de malha e afirma que o setor foi bastante prejudicado pela pandemia. “Vendo malha para confecção de camisetas em Apucarana e outras cidades da região. E como este setor está bastante ocioso em Apucarana, o jeito foi buscar outras alternativas para gerar renda”, conta.
A saída para manter os quatro funcionários e não fechar a empresa foi produzir máscaras de proteção contra o coronavírus, até o comércio da malha reagir. Junior também procurou a Sala do Empreendedor e adquiriu uma linha de crédito para sua empresa. 
“Agora o comércio de malha começou a girar de novo. Esse mês já foi mais positivo, com vários pedidos para entregar. Mas tenho medo de essa pandemia piorar e o comércio fechar de novo”, teme. 
O pintor Jelimaike da Silva Alves, 32 anos, também sentiu uma redução na clientela logo no início da pandemia, sobretudo quando a prefeitura de Apucarana publicou decreto determinando a paralisação geral das atividades. Ele que trabalha no ramo há 15 anos, tem uma microempresa que montou em sociedade. “No começo prejudicou, mas depois que foi liberado a voltar a trabalhar, o serviço foi normalizando e não precisei fazer demissões”, conta ele, que tem dois funcionários. 
Para ampliar a divulgação da sua empresa, ele passou a usar as redes sociais como aliadas. “Antes eu não usava muito essas ferramentas. Agora faço orçamentos pelo whatsapp e pelas redes sociais, como o Facebook. Também posto fotos dos ambientes antes e depois da pintura e movimento os stories. Isso tem ajudado”, afirma.