As ervas daninhas sempre foram um problema na agricultura. Contudo, o aumento das variedades resistentes aos herbicidas estão elevando de forma o custo de produção e dando dor de cabeça para os produtores rurais. Atualmente o Brasil figura em 5º lugar no ranking mundial de países com o maior número de casos de plantas daninhas resistentes.
Para o agricultor Cicero de Oliveira, de Jardim Alegre, não é de hoje que as ervas daninhas representam um enorme ameaça. Segundo ele, as plantas invasoras, além de se resistirem à aplicação herbicidas, ainda se reproduzem, sufocando a lavoura e comprometendo a rentabilidade da safra. “Aqui na nossa região o capim amargoso e a buva estão tomando conta. A gente carpe e ela volta de novo. Veneno para matar nem sempre funciona, e os que funcionam são caros demais”, comenta.
Conforme o agrônomo e professor de agroecologia e agrônomo Mateus José Falleiros da Silva, do campus de Ivaiporã do Instituto Federal do Paraná (IFPR), as plantas resistentes exatamente por conta do uso contínuo e prolongado de herbicidas do mesmo grupo químico.
“É uma questão de seleção natural. Em casos de infestações de buva, por exemplo, quando se faz uma aplicação de agrotóxico, as plantas que sobrevivem são as mais resistentes e quando se reproduzem passam para frente essa resistência ao produto”, explica.
Ainda conforme Silva, o mais importante é o agricultor ter um profissional acompanhando a situação de resistência às ervas daninhas. “Esse é um problema muito sério, que pode obrigar o agricultor a usar uma quantidade maior ainda de agrotóxicos”, completa.
O agrônomo da Coamo, Fernando Soster, comenta que uma existe solução para todas as plantas, desde que o manejo utilizado seja adequado. “Hoje nós temos vários problemas, só que existe manejo para tudo e outras possibilidades de herbicidas que vem sendo utilizados com controle muito efetivo”.
Segundo Soster, a perda de produtividade muitas vezes é pode chegar a 50%. “Porque tem ali outra planta sombreando, outra planta competindo com água e nutrientes”, completa Soster.
O professor de agroecologia, Mateus José Falleiros, destaca que além do uso correto dos defensivos, outras medidas podem ajudar a minimizar o problema. Inicialmente, solos com uma base de cobertura boa, tem menos problemas com mato. “Mas, não pode ser como o pessoal faz por ai. Faz a rotação com milho safrinha e acha que vai deixar palha no solo. Tem que ser uma camada de palha de pelo menos cinco centímetros segurando à germinação da planta daninha na lavoura”, comenta.
Ele destaca que em áreas menos extensivas, também é possível adotar práticas de manejo com controle mecânicos através de capina, rotação de culturas e manutenção de coberturas, que controla as pragas.