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PM cria ‘mapa digital da criminalidade’

Renan Vallim

| Edição de 11 de junho de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A Polícia Militar de Apucarana está utilizando a tecnologia no combate ao crime na cidade e região. Desde o começo do ano, o 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM) utiliza dois softwares que mapeiam toda a área coberta pela unidade, trazendo um relatório completo de cada bairro em específico, ajudando a direcionar esforços e aumentar a eficiência da polícia. O sistema, chamado de georreferenciamento, auxilia ainda no planejamento de ações específicas para cada região da cidade.

Imagem ilustrativa da imagem PM cria ‘mapa digital da criminalidade’

Os dois softwares trabalham em conjunto. O Business Intelligence (BI) é um grande banco de dados com Boletins de Ocorrência (BOs), relatórios e histórico de ações policiais. O programa detalha a natureza de crimes, itens apreendidos, localização, horários de pico de ocorrências, entre outros detalhes. É possível destacar diversas variáveis, como número de crimes, natureza das ocorrências, idade e níveis de escolaridade de pessoas apreendidas etc. O programa proporciona até mesmo a análise da produtividade de cada policial dentro do 10º BPM.
Já o programa CAPEGEO, criado pela Coordenadoria de Análise e Planejamento Estratégico (Cape) da Secretaria da Segurança Pública, utiliza os dados do BI para dar um panorama geográfico da criminalidade. Através de um mapa digital, é possível ver exatamente onde cada ocorrência aconteceu. Os policiais conseguem ainda delimitar cada tipo de delito dentro de um espaço determinado, como um bairro, por exemplo.
“Esse tipo de refinamento de dados tem sido fundamental para o planejamento de ações específicas da Polícia Militar. Podemos identificar quais são os bairros ou regiões com maior índice de furtos ou de tráfico de drogas, por exemplo. Assim, podemos direcionar as equipes em horários específicos, quando sabemos que o número de ocorrências é maior, ou planejar ações que visam combater um delito específico em determinada área”, explica Rangel Calixto, capitão da PM e oficial de Planejamento do 10º BPM.
Segundo ele, mesmo com o alto nível de automação dos dados, o componente humano ainda é fundamental. “A análise dos dados continua sendo do policial. Ele precisa entender aqueles dados para que as equipes sejam deslocadas de maneira eficiente. Não é só uma questão de números, mas de saber o que eles significam. Não adianta, por exemplo, enviar equipes para um bairro com alto índice de tráfico de drogas sem entender como esse tráfico funciona. Nossa busca é pela eficiência máxima”, destaca.
O próximo passo será incluir no sistema as gravações das ligações feitas para a PM. “Esse sistema só funciona se as pessoas registrarem as ocorrências. Por isso, pedimos que, em caso de furto, assalto ou qualquer outro crime, procurem a PM”, diz.

Resultados já aparecem
O BI é utilizado há alguns anos pelas forças policiais das maiores cidades do estado, como Curitiba, Londrina e Maringá. Com isso, o banco de dados de Apucarana se integrou ao dessas cidades, proporcionando troca de informações com maior rapidez. Já o CAPEGEO foi lançado em 2015 pelo Núcleo da Faixa de Fronteira do Cape e desenvolvido com recursos do Governo Federal. Na época, o foco do software era o monitoramento das fronteiras do país, mas seu uso foi adaptado para o policiamento de modo geral.
O capitão da PM Rangel Calixto destaca o êxito desta nova metodologia de trabalho. “Ainda estamos em um período de transição do sistema antigo, feito manualmente em um quadro na parede, para o novo sistema. Mesmo assim, já identificamos no período um aumento de mais de 100% na apreensão de drogas e 95% nos mandados de busca e apreensão. Houve queda de 20% nos roubos e de 38% nos furtos”.
Apesar de não divulgar muitas informações detalhadas para não atrapalhar o trabalho da polícia, o capitão aponta que a região central é a região com maior número de furtos, que são relatados com mais intensidade entre 17 e 21 horas. “É o momento em que a pessoa chega em casa após o trabalho e identifica a casa arrombada”, diz o policial. Já nos bairros mais afastados, predomina a apreensão de drogas e armas.