Motoristas que usam aplicativos de mensagens ou redes sociais para avisar os locais de blitze de trânsito podem ser punidos com até cinco anos de cadeia. O alerta é da Polícia Militar (PM), que ampliou o monitoramento desse tipo de situação em Arapongas e também Apucarana. Mesmo assim, a prática é comum e tem preocupado as autoridades, principalmente pela falta de conscientização dos participantes.
Ontem, a PM de Arapongas desmobilizou um desses grupos no WhatsApp e agora está trabalhando na identificação dos integrantes. O “Trânsito Arapongas” foi criado para troca de informações entre os condutores sobre blitze e outras operações policiais.
Os setores de inteligência da PM e da GM interceptaram mensagens de aviso com horários e locais onde ocorrem as operações. Em uma conversa entre os usuários, um motorista "adverte" para blitz da Guarda Municipal (GM), na BR-369, saída para Apucarana, perto da loja Havan. No grupo também eram divulgados anúncios de falsificação de Carteira Nacional de Habilitação (CNH), históricos escolares, diplomas, certificados e até dinheiro. Na tarde de ontem, as autoridades infiltradas no grupo se manifestaram informando que toda atividade estava sendo monitorada e diversos membros começaram a sair do grupo. No entanto, todos integrantes foram identificados.
De acordo com o comandante da 7ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), capitão Ademir da Fonseca Junior, a divulgação das ações policiais pode ser interpretada com base no artigo 265 do Código Penal, que tipifica o crime de atentar contra um serviço público, no caso o trabalho das autoridades de trânsito. Contudo, ele acredita que a população deve se conscientizar.
"Tenho uma visão que transcende a questão legal. Acho que é importante as pessoas refletirem sobre objetivo da fiscalização de trânsito e entender que esse tipo de atitude pode causar prejuízo ao bem comum", considera.
Segundo ele, grande parte dos acidentes registrados ano passado em Arapongas tem relação com infrações de trânsito. Relatório da PM aponta que foram 919 acidentes, com 503 feridos e 11 mortes. "Em grande parte dos acidentes identificamos motoristas sem habilitação, embriaguez ao volante e desrespeito a sinalização e limite de velocidade", analisa.
Além disso, o comandante destaca que esse tipo de postura também auxilia a ação de bandidos que podem utilizar as informações para despistar a polícia. "Esses alertas alcançam todas as pessoas, inclusive os criminosos. E essa própria pessoa que divulga a informação da blitz pode ser prejudicada se acaso tiver um veículo roubado ou furtado. O objetivo da fiscalização também é diminuir o espaço do criminoso, que pode cair em uma blitz", observa.
Conforme o capitão, esse tipo de ação será discutida durante reunião junto ao Poder Judiciário para analisar a possibilidade de aplicar medidas punitivas. "É importante que a população entenda que a fiscalização tem como objetivo fazer com que as pessoas procurem uma conduta correta no trânsito. Não tem objetivo estabelecer punição ou causar prejuízo. É para trazer benefício, aumentar a segurança evitando acidentes e mortes no trânsito", conclui.
APUCARANA
No final do ano passado, o serviço de inteligência do 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM) também interceptou mensagens de um grupo no WhatsApp com a mesma finalidade. A PM ressalta que possui tecnologia necessária para rastrear esse tipo de mensagem.