Desvio de função, uso de equipamentos de segurança vencidos e excesso de carga horária levaram ontem policiais civis a pararem as atividades por 24 horas em quase todas as delegacias do Paraná. As unidades que aderiram ao movimento grevista realizaram somente atendimento de flagrantes. Em Apucarana, a sede da 17ª Subdivisão Policial amanheceu com faixas e cartazes com as reivindicações da categoria. Os coletes balísticos que, segundo a categoria estão vencidos, foram expostos ao público, para mostrar a vulnerabilidade que os policiais estão sujeitos.
A paralisação foi decidida após assembleia conjunta do Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol) e Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol) no final do mês passado. A medida, inclusive, faz parte de uma série de ações pontuais da categoria. Para o representante do Sinclapol em Apucarana, o investigador Rômulo Cardoso, o desvio de função acarreta em vários problemas, como a carga horária excessiva e acúmulo de trabalho, uma vez que o quadro de profissional já está defasado.
Na avaliação do sindicalista, o quadro de profissionais da 17ª SDP, para conseguir atender a população de forma adequada, precisaria passar de 20 policiais ativos, para 60. “Esta não é só uma situação de Apucarana, é de todo o estado do Paraná”, avalia. Ontem à tarde, dez policiais civis da 17ª SDP compareceram ao Hemonúcleo para doar sangue. O gesto faz parte das ações previstas pelos sindicatos.
A 22ª SDP, de Arapongas, não aderiu à paralisação. A justificativa é que, apesar da situação complicada da categoria, a população não pode ficar sem atendimento. Ontem à tarde a categoria realizou uma reunião com representantes do governo, mas não teriam chegado a um acordo. Um novo encontro está marcado para quarta-feira.
SESP
Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (Sesp) reitera que está ciente da situação de presos em delegacias e trabalha para resolver o problema, com a construção de unidades prisionais. Além disso, contratou 1.201 agentes de cadeia via processo seletivo, entre outras ações. (VANUZA BORGES)