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Pomares conquistam produtores no Vale

Ivan Maldonado

| Edição de 02 de outubro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Quando o assunto é a agricultura no Vale do Ivaí, o primeiro produto que vem à cabeça é a soja. No entanto, o desenvolvimento rural tem possibilitado a diversificação de culturas nas comunidades rurais, e a produção de frutas vem ocupando cada vez mais espaço junto a outras lavouras. Embora, ainda com movimentação tímida, os pomares e estufas começam a se espalhar por todas as regiões. Com condições climáticas favoráveis e com vários tipos de solo é possível cultivar as mais variadas espécies de frutas na região.

Imagem ilustrativa da imagem Pomares conquistam produtores no Vale

Exemplo disso é a uva cultivada em Rosário do Ivaí, município que produz 1,2 mil toneladas/ano. Já em Ariranha do Ivaí, a fruta da vez é o maracujá, com produção anual de 370 toneladas.

Em Lidianópolis, os agricultores estão apostando no abacate e colhem anualmente mais de 1,2 mil toneladas da fruta. Outras frutas que têm se adaptado na região são o pêssego e nectarina - que surgem como opção a tradicional cultura de tomate em Faxinal - e laranja, cuja produção chega a 1,2 mil toneladas em Ivaiporã e Jardim Alegre.

De acordo com o engenheiro agrônomo da regional do Departamento de Economia Rural (Deral), Randolfo Oliveira, aos poucos os agricultores, principalmente os pequenos, estão descobrindo a fruticultura.

“Tivemos algumas experiências nos últimos anos e eles perceberam que pela área de terra que um animal precisa para produzir leite ou para a produção de soja ou milho, a fruticultura rende muito mais. Além disso, hoje existe mercado para as frutas e a fruticultura na região tem tudo para dar certo”, comenta Oliveira.

Para Oliveira, ainda há muito que fazer no setor - falta na região uma assistência técnica mais efetiva para orientação aos produtores, por exemplo. Além disso, o custo inicial é um pouco mais elevado que na agricultura tradicional e o retorno a principio, mais demorados.

“No entanto, ao longo do tempo, para o agricultor familiar, a fruticultura é muito mais rentável que as culturas de soja, trigo, milho e feijão”, destaca Oliveira.

JARDIM ALEGRE

Em Jardim Alegre, o produtor Hélio Vitorelli está na atividade há mais de dez anos. Mesmo produzindo em área arrendada, ele planta goiaba - em área de um alqueire - e abacate em outras três quartas parte de alqueire. “Não dá para ficar rico, mas desde que passei a trabalhar com frutas levo a vida bem controlada”.

Ele relata ainda, que os cuidados de manejo com as frutas são basicamente o de adubação e o uso de herbicidas, que é feito por ele, a esposa e um filho. “Não dá tanto trabalho assim, mas a gente tem que ficar atento com as pragas”, relata Vitorelli.

Em Lidianópolis, Luiz Hernandes, optou pelo cultivo da uva há 12 anos. Dono de um sítio dele de um alqueire, ele trocou os cafezais pelas parreiras. “Eu gosto muito de café, mas se tivesse persistido com o cafezal, acho não estaria mais por aqui não”.

Hernandes produz em três estufas em área de 7 mil metros², as variedades de uvas Benitaka, Rubi e Schubert. Anualmente ele produz 14 mil quilos de uvas. “Praticamente eu e minha mulher manejamos as parreiras. Somente na colheita quando precisa colher mais rápida, chamamos uma ou duas pessoas para ajudar”, assinala Hernandes.