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Pôquer atrai amadores e profissionais

Ivan Maldonado e Renan Vallim

| Edição de 24 de outubro de 2015 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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O Ministério do Esporte reconheceu em 2012 o pôquer como esporte intelectual e registrou, oficialmente, a Confederação Brasileira de Texas Hold’em em seus quadros, permitindo que os eventos dessa modalidade possam ser incluídos no calendário esportivo oficial. Na semana passada, para a alegria dos mais de quatro milhões de praticantes, a Secretaria Nacional do Esporte de Alto Rendimento anunciou que vai analisar a legislação brasileira para criar normas de regulamentação.

Imagem ilustrativa da imagem Pôquer atrai amadores e profissionais

Com isso, a expectativa é que sejam atraídos investidores e o esporte possa definitivamente se expandir pelo país. Também será possível tributar a atividade tanto nos clubes como nos jogos online, gerando receita para o governo. A medida trará também mais segurança e dará suporte para aqueles que trabalham na área.

Ainda não há ideia de como o jogo será a normatizado, o que gera incerteza entre os praticantes do esporte na região. Em Ivaiporã, Mauro Zurlo preside uma associação de amigos que se reúne pelo menos uma vez por semana para jogar pôquer recreativamente. Ele é a favor da liberação de casas de jogos de pôquer na modalidade Texas Hold’em, desde que não sejam liberados os jogos de azar, tais como máquinas caça-níquel, roleta, bacará, black-jack. Zurlo acredita que as máquinas de cassino são manipuladas e quem ganha é somente o proprietário. “No jogo de azar, a pessoa tem que ter a consciência que vai perder. É diferente do Texas Hold’em, em que o jogador tem que ter 80% de habilidade e a sorte pouco influencia tem no jogo”, comenta.

Luiz Quirino, que também faz parte da associação de amigos de Ivaiporã, é favorável à liberação de cassinos por todo país. “Não só no Texas Hold’em, mas todos os tipos de jogos. Será mais geração de emprego. Há empreendedores só aguardando a regulamentação para investir”, assinala Quirino.

LUCRATIVIDADE

Cada vez mais o pôquer atrai jovens para o esporte e, com a regulamentação, a profissionalização fica mais segura para quem pretende ganhar a vida com isso. Allan Oliveira, de Ivaiporã, é um desses jovens. Ele, recentemente, abandonou o trabalho, no qual ganhava pouco mais de um salário mínimo, para se dedicar integralmente à modalidade.

“Muitas pessoas têm a ideia de que o pôquer é um jogo de azar, mas, na verdade, é uma profissão como outra qualquer. Exige muito estudo e treino”.

Oliveira joga diariamente, em média, oito horas por dia online no programa Poker Stars. “O pôquer exige um longo prazo para ser lucrativo. Ninguém fica rico de uma hora para outra”, diz.

A preferência do rapaz, no entanto, é pelos jogos ao vivo. No último mês, ele ganhou três torneios em Londrina e faturou cerca de R$ 1,5 mil. Na região, no entanto, há outros jogadores profissionais que faturam muito mais, chegando a ganhar acima de R$ 100 mil em alguns torneios.

Jogadores levam o jogo a sério em Apucarana

Em Apucarana, a popularização do pôquer tem atraído cada vez mais praticantes. Sólon Ceranto, auxiliar administrativo, organiza torneios de final de semana, que chegam a superar os 30 participantes. “Comecei na faculdade, em 2011. Via alguns amigos jogando e resolvi aprender. Hoje, consigo reunir pessoas não só de Apucarana, mas amigos de outras cidades também”, diz ele.

Já Guilherme Marques Garcia, de 33 anos, leva o esporte um pouco mais a sério. Ele joga desde 2006 e, um ano depois, resolveu disputar os principais torneios da modalidade. “Já consegui boas colocações e, inclusive, venci o Brazilian Series of Poker (BSOP), que é o campeonato brasileiro da modalidade. O campeonato mundial, que acontece em Las Vegas, eu vou todo ano”, diz.

“O pôquer cresce cada dia mais. Acho isso muito interessante. Principalmente os jovens estão jogando cada vez mais”, explica ele