A sequência de bons preços da soja vem animando os produtores do Vale do Ivaí. Cotada no início do plantio em R$ 59, a saca de 60 quilos passou para R$ 65 no início do ano e agora, na largada da colheita, está sendo comercializada na casa dos R$ 70, um avanço de 18,64%. O momento positivo do mercado da oleaginosa é resultado da quebra da safra na Argentina, que enfrenta a maior estiagem em 30 anos. O país vizinho é o terceiro maior produtor mundial do grão, atrás apenas do Brasil e dos Estados Unidos.
Segundo o agrônomo Sérgio Carlos Empinotti, do Departamento de Economia Rural (Deral), do Núcleo Regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), de Ivaiporã, as perdas argentinas são de mais de 13 milhões de toneladas. “A previsão lá de 57 milhões de toneladas foi reduzida para 44 milhões. É a pior cena para a soja argentina desde 2009, quando na época choveu excessivamente nas regiões produtoras. O agravante para esta safra é que não está nem concluída a maturação, e a tendência é que o prejuízo dos produtores argentinos seja maior ainda”, relata Empinotti.
Com relação à atual temporada do grão nos 22 municípios da regional de Ivaiporã, a estimativa do Deral é de produção parecida com a safra 2016/2017, quando os produtores colheram 1,07 milhão de toneladas. “O excesso de chuva no período da granação prejudicou um pouco no rendimento, com uma perda em torno de 2% a 3%, o que deve ser compensado pelo aumento de área na safra deste ano”. Na atual temporada, a área plantada com o grão é 292 mil hectares, ou seja, 2 mil hectares a mais que na safra anterior.
Conforme informações do Deral, a colheita da safra de soja 2017/2018 até ontem havia atingido 37% da área semeada na regional de Ivaiporã.
COMERCIALIZAÇÃO
Com os bons preços de mercado, o volume de comercialização deve ser acentuado nas próximas semanas. Para o produtor de Jardim Alegre, Edilson Colombo, o mercado está propicio para a comercialização. “É preço de vender. Não dá para guardar e arriscar. É melhor se arrepender com o dinheiro no bolso do que esperar melhorar ainda mais o preço e ele baixar. Se tivesse colhido toda a minha área, já teria vendido tudo”, enfatiza.
Até ontem, Colombo havia colhido 20% da área de 160 alqueires na região da Barra Preta. Ele relata, que pelo menos nessa área inicial, a perda por razões climáticas é de 15%. “Por enquanto, a produtividade não é aquela esperada. A chuvarada e a falta de luminosidade acabaram interferindo na produtividade, porém, o preço está compensando”. Na safra anterior, o produtor colheu em média 170 sacas por alqueire.