Uma das principais tradições da Quaresma para os católicos é o consumo de peixe, em substituição à carne vermelha, principalmente nas quartas e sextas-feiras. Este costume, adotado em sinal de penitência, ganha mais força na Semana Santa. Nessa época do ano, aumenta a procura pelo bacalhau, que neste ano está cerca de 10% mais caro.
Os preços variam de acordo com os cortes e as espécies de peixe. O mais nobre, do tipo Cod Gadus Morhua, conhecido como bacalhau ‘do Porto’, está sendo comercializado a partir de R$ 55 o quilo, podendo ultrapassar os R$ 80. O que influencia na alteração do preço cobrado é o tamanho do peixe. Existem caixas com oito a dez peixes, e outras com até 15 peixes. Quanto maiores, mais valorizados eles são, por ter mais carne.
Por ser um produto importado - o peixe é encontrado sobretudo nas águas da Noruega, no Atlântico Norte, sofre mais com as oscilações do dólar. Este, inclusive foi o principal motivo para a diferença de preço neste ano: o dólar comercial, que era cotado a cerca de R$ 3,12 nesta época em 2017, hoje está acima dos R$ 3,30, o que significa uma alta de aproximadamente 6%. Já a inflação nos últimos 12 meses, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 1,81% (INPC).
Outros peixes bastante comuns vendidos como bacalhau são os tipos saithe e zarbo. Ambos são encontrados custando entre R$ 35 e R$ 45 o quilo nos supermercados. Uma quarta variedade é o ling, que em tese é o mais próximo do bacalhau do Porto em termos de características e também de preço: o quilo sai por cerca de R$ 55. Nem todos os estabelecimentos oferecem todos os tipos de bacalhau, por isso o consumidor precisa ficar atento ao que está comprando.
Responsável por adquirir os produtos junto aos fornecedores em um supermercado de Apucarana, Adriano Zalilio afirma que este é o principal período do ano para o comércio de bacalhau. “O volume é realmente muito expressivo, no comparativo com o restante do ano. Este é o ponto alto”, afirma.
Segundo ele, apesar do aumento nos preços, as vendas estão dentro do esperado. “A quantidade de clientes comprando bacalhau neste ano está bem próxima da que registramos no ano passado. Muita gente cultiva essa tradição do peixe na Semana Santa e o bacalhau é um dos preferidos. Por isso, a tendência é que, até o final da semana, este número continue crescendo”, avalia Adriano.