O preço do frango caiu em torno de 30% no último mês nos supermercados da região. A queda tem sido atribuída, principalmente, ao embargo imposto pela União Europeia (UE) à avicultura brasileira, anunciado no último dia 19. A queda, aliada à alta dos insumos para produção, tem deixado produtores em dificuldades. A expectativa é de que preços voltem a subir em algumas semanas.
Ontem, o preço do quilo do frango nos mercados da região era em torno de R$ 2,90. Há um mês atrás, o valor era de aproximadamente R$ 4, resultando em variação de 27,5%. Antes disso, o preço do frango já vinha acumulando baixas. No período de um ano, até março, o valor da ave inteira caiu 7,94%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desde o início deste ano, o corte é de 3,87%.
Na última semana, a União Europeia proibiu a importação de frango em 20 frigoríficos brasileiros, sendo 12 pertencentes à empresa BRF. A suspensão da importação deixou avicultores do Paraná apreensivos, já que oito frigoríficos ficam no estado. A unidade da BRF em Toledo, no oeste do Paraná, é a mais afetada e já anunciou férias coletivas para dois mil funcionários a partir do dia 2 de julho.
“Todos os produtores estão na expectativa. Alguns ainda não foram impactados pela medida pois ainda não precisaram negociar com as empresas neste período. Por isso, há muita apreensão”, afirma Wilson Massambani, avicultor apucaranense.
A dúvida é maior ainda entre os produtores associados a frigoríficos que não foram barrados pela União Europeia, já que não é possível saber como o restante do mercado irá se comportar. Os avicultores se preocupam ainda com os custos de produção, que estão cada vez mais altos. “O milho e a soja, que são as bases da ração das aves, estão cada vez mais caros. Com isso, o custo de produção disparou e não sabemos se teremos boa rentabilidade nos próximos ciclos”, diz Massambani.
A oscilação mais intensa dos preços nos últimos 30 dias se deve à decisão do mercado europeu. Com as exportações para a Europa barradas, os frigoríficos envolvidos precisam vender no mercado interno, aumentando a oferta e derrubando os preços. A UE alegou que os frigoríficos embargados descumpriram a regra de tolerância zero para presença de qualquer tipo de salmonela.
Segundo o gerente de compras de um supermercado em Apucarana, Gainete Ferensovicz, em breve os preços podem voltar a subir. “O ciclo do frango é curto, em torno de 60 dias. Quando o ciclo atual acabar, muitos produtores devem suspender a avicultura pela queda na rentabilidade, fazendo com que a oferta diminua e o preço volte a subir”, afirma.
O Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar) lamentou a decisão da UE. Em nota, o sindicato entende que “a decisão do bloco é uma medida protecionista que não se ampara em questões sanitárias, pois não há risco de saúde pública proveniente do produto, já que a carne de frango é cozida antes do consumo, eliminando a presença de possíveis bactérias”. O texto ressalta ainda que “a avicultura no país, especialmente no Paraná, é referência mundial no quesito qualidade e sanidade”.