Os prejuízos no campo gerados pelo excesso de chuva impactam o bolso do consumidor de Apucarana com aumento no custo dos alimentos. Entre os produtos mais caros está o arroz, que subiu quase 25%, em média. No âmbito nacional, o acréscimo chega a 16%, conforme pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), com base nos últimos doze meses.
Empresário Sergio de Andrade, proprietário de um mercado, observa que o produto vem apresentando alterações de preços nos últimos meses, mas que a maior alta foi repassada após as chuvas que atrapalharam o cultivo nas principais regiões produtoras de arroz no país. No estabelecimento dele, o pacote com 5 quilos custava R$ 24 e foi para R$ 32. “O preço do arroz já estava subindo, aí aconteceram esses temporais e isso ajudou a aumentar ainda mais os preços”, comenta. Em outro mercado da cidade, o pacote subiu de R$ 26 para R$ 31, em média. Dependendo a marca, o produto pode custar até R$ 35.
Técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) de Apucarana, Adriano Nunomura explica que a alta se deve às chuvas acima da média, sobretudo, em regiões produtoras de arroz. Como exemplo, o técnico cita os temporais que atingiram o Rio Grande do Sul nos últimos meses que atrapalharam a colheita e atrasaram o plantio da próxima safra. O estado é o maior produtor de arroz do país.
HORTIFRUTI
O grande volume de chuva, que em algumas regiões veio acompanhado com granizo, também prejudicou seriamente a produção de hortifrútis. Com menos oferta e grande demanda, os preços acabam subindo nos estabelecimentos. Na quitanda do apucaranense José Ceron, a maior alta foi no quilo da cebola, que passou de R$ 4,5 para R$ 6,5 (44%). O tomate também ficou mais caro, passando de R$ 4,9 para R$ 6,5 (32%). “Abobrinha, vagem, quiabo e cenoura também ficaram mais caros esta semana”, afirma.
De acordo com o técnico agropecuário da Secretaria Municipal de Agricultura, Luiz Faveri, o excesso de chuva prejudicou, sobretudo, plantações a céu aberto, reduzindo a oferta de produtos e também a qualidade. “Tem região onde a perda foi muito grande, pois teve chuva com granizo, outras por causa do grande volume de chuva mesmo, mas as perdas maiores foram dos agricultores que plantam a céu aberto. O excesso de água danifica a planta, que apodrece mais rápido”, comenta.
De acordo com ele, a falta de produtos já começou a ser notada, sobretudo na agricultura familiar, que abastece a merenda escolar e o programa municipal Feira Verde. “A época de chuva atrapalhou o plantio e prejudicou as hortaliças que já estavam plantadas, então a agricultura familiar não tem produtos para entregar no momento. Não aparece mais alface, repolho, chicória, cebolinha, salsinha. Mas se o tempo continuar firme, daqui 30 dias se vai melhorar, pois o ciclo entre o plantio é entre 30 a 45 dias no máximo”, comenta.
Custo deve continuar subindo, diz economista
Os preços do arroz nas gôndolas dos mercados aumentaram, na média, 17,3% nos últimos doze meses no Paraná. Conforme o economista Rogério Ribeiro, professor do campus apucaranense da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), a saca de arroz sofreu aumentos sucessivos com alta de 27,1% entre julho a outubro.
“A procura pelo arroz em casca está aquecida. Os compradores estão aumentando as ofertas de preços para reposição de estoques, porém os produtores não estão aceitando as propostas porque acreditam que os preços irão aumentar mais, ou seja, estão esperando preços melhores para os produtores. A razão disto é que a demanda de arroz no mercado internacional está forte, o que também faz com que os preços aumentem”, explica.
Além da crescente demanda, há uma pressão para aumento dos preços por conta do atraso no plantio da nova safra em decorrência das chuvas. “Por conta disto, a expectativa é de mais aumentos de preços nos próximos meses tanto no varejo quanto no atacado”, adianta o economista.