CIDADES

min de leitura - #

Preço recorde do feijão não ‘convence’ produtores do Vale

Ivan Maldonado

| Edição de 15 de julho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Apesar da alta no preço do feijão carioca - R$ 400 a saca de 60 quilos - produtores da região de Ivaiporã, não devem mudar seus planos. Com o início do plantio do feijão da safra de verão previsto para o segundo semestre de agosto, ainda são poucos os agricultores que tem procurado a semente da leguminosa. A falta de garantia de preço, custo de produção elevado e instabilidade nos preços desestimulam o produtor. Nos últimos 15 anos, a região, que já foi grande produtora, perdeu cerca de 80% da área plantada de feijão.

Imagem ilustrativa da imagem Preço recorde do feijão não ‘convence’ produtores do Vale

“Hoje está R$ 400, mas quando chegar à colheita, todo mundo vai colher e cai para R$ 70. Não dá para animar com isso. Enquanto o Governo não garantir um preço mínimo justo e comprar, não planto mais nenhum alqueire de feijão”, desabafa o produtor de Ivaiporã, Arlindo Pavessi, que em 2014 teve prejuízo com a cultura.

Na época, confiando no preço mínimo garantido pelo Governo Federal, que era de R$ 90 a saca, ele plantou 600 alqueires de feijão. “O melhor preço que consegui com os cerealistas naquela época foi de R$ 50. Sem contar o prejuízo do transporte de 4 mil sacas que levei para Apucarana, maquinei, sequei, paguei para ensacar e armazenar. Ficou 30 dias, o Governo desistiu de comprar, não me pagou e tive que pagar frete para trazer o feijão de volta para Ivaiporã”, relata Pavessi.

RISCO CLIMÁTICO

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ivaiporã, Donizete Pires, relata que outro fator que vem desestimulando o plantio do feijão, principalmente, pelo pequeno produtor é o risco climático.

Ele lembra, que na última safra do feijão das águas, a maioria dos agricultores enfrentaram o excesso de chuva no final de dezembro e a primeira quinzena de janeiro. Houve atraso na colheita e o resultado foi perda na qualidade, com grãos ardidos ou brotados. “Na época, este tipo de produto chegou a ser comercializado à R$ 50 a saca”, assinala Pires.

Na safra do feijão das secas que foi colhida recentemente, no início do plantio houve muita chuva e na florada seca, como a planta estava sem vigor abortou. “É muito risco e com o custo de produção alto, o plantio do feijão mesmo com preços atrativos se torna inviável para o pequeno produtor”, completa Pires.

Procura por sementes é baixa
O cerealista Marcelo Vicente Raizama, relata que a procura por sementes na região ainda é pequena. Para ele, a situação da próxima safra na região ainda é incerta. “O preço da semente está meio puxado, cerca de R$ 10 o quilo, e o pessoal também está preferindo aguardar a safra da Bahia e Minas Gerais que está sendo colhida. Se houver boa produção, a tendência é que o preço caia e aumente o desânimo do produtor. Além disso, o mercado do milho está valorizado, e os produtores podem preferir esses grão em detrimento do feijão”, diz Raizama.
Conforme relatório do escritório regional do Departamento de Economia Rural (Deral), até 2001 nos 22 municípios da regional eram dedicados a cultura de fejião 73,4 mil hectares. Na safra 2014/2015, foram apenas 18,5 mil ha. No ano passado o plantio na safra de verão na regional da Seab de Ivaiporã foi de apenas 11.3 mil ha.