Dois dias após uma liminar suspender o aumento no preço dos combustíveis anunciado pelo Governo Federal, um desembargador cassou a decisão judicial. A nova decisão foi divulgada no mesmo dia em que a Petrobras anunciou uma nova alta da gasolina e do diesel, que começa a valer a partir de hoje. Na tarde de ontem, a gasolina comum chegou a custar até R$ 4,07 nos postos de Apucarana.
O desembargador Hilton Queiroz, presidente do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), derrubou ontem a decisão judicial que havia suspendido o aumento no preço dos combustíveis. A decisão havia sido concedida pelo juiz substituto Renato Borelli, da 20ª Vara Federal de Brasília. Com a decisão do desembargador, volta a valer o decreto do presidente Michel Temer que elevou a alíquota de PIS/Cofins sobre a gasolina, o diesel e o etanol.
Nos dois dias em que a liminar se manteve vigente, os preços não caíram nos postos de Apucarana. Na tarde de ontem, a gasolina foi encontrada custando entre R$ 3,79 e R$ 4,07, uma diferença de 0,28. Já o etanol ficou entre R$ 2,79 e R$ 2,89. O óleo diesel comum foi encontrado custando entre R$ 2,92 e R$ 3,09.
“A situação está um verdadeiro absurdo. A população está cansada de pagar esses preços abusivos, que só sobem. A gente precisa do carro para trabalhar e não aguenta mais esse tipo de situação. Estou até andando ‘na banguela’ nas ladeiras para ver se gasto menos combustível”, afirma Ananias de Souza, assistente administrativo em Apucarana.
O representante comercial Davi de Paula também reclama. “Quando anunciam uma alta nos preços, os postos repassam na hora. Mas quando ocorre uma baixa, como quando o juiz concedeu aquela liminar, demora para chegar para o consumidor. Isso quando chega. É complicado”.
NOVA ALTA
A Petrobras anunciou na manhã de ontem um novo aumento na gasolina e no diesel. A alta será de 3,5% nos preços do diesel e de 0,6% na gasolina. O reajuste será aplicado a partir de hoje nas refinarias, devendo ser repassado para as distribuidoras e, por consequência, para os postos.
Esta é a segunda alta do combustível nesta semana. Anteontem, a estatal informou alta de 1,4% para o diesel e de 1,9% para a gasolina. A Petrobras adotou um novo formato na política de ajuste de preços no dia 3 de julho. Pela nova metodologia, os reajustes acontecem com maior frequência, inclusive diariamente. Só em julho, a empresa já fez 17 reajustes.
Proprietário de um posto de combustíveis em Apucarana, Wellington Kreb afirma que não comprou combustível para abastecer o estoque, na esperança de que os preços baixassem com a liminar concedida pelo juiz do Distrito Federal. “O combustível não baixou, muito pelo contrário. Vamos acabar tendo que comprar combustível mais caro. É difícil saber onde isso vai parar”, afirma.
“Falo como consumidor: a situação está inaceitável. O problema é que o consumidor acha que nós, postos de combustíveis, somos os culpados. Não adianta fazer greve ou protestar contra os postos. Nós só repassamos a alta que vem do governo. Combustível alto também não é bom para nós porque as vendas caem”, ressalta Kreb.