O Quarteirão da Cultura, obra iniciada em 2007 e que não foi terminada até hoje, vai ganhar um novo projeto nos próximos dias. De acordo com o prefeito Beto Preto (PSD), uma nova licitação será aberta em breve para finalizar a construção depois de 10 anos. Os esforços da Prefeitura são no sentido de adequar o novo projeto a atual condição financeira enfrentada no país. Com isso, o custo deve cair pela metade.
Desde 2015, a Prefeitura de Apucarana planeja a retomada da obra, que parou com cerca de 60% do projeto concluído. “Vamos apresentar um novo projeto nos próximos dias. Em breve, faremos uma nova licitação e poderemos, enfim, ver essa obra finalizada”, afirma o prefeito. A área a ser reformada é de quase 1,6 mil metros quadrados. O projeto da época previa investimentos de pouco menos de R$ 1 milhão garantidos pela Secretaria de Desenvolvimento urbano. Em valores corrigidos pelo INPC, hoje o recurso seria em torno de R$ 1,8 milhão.
O desafio da Prefeitura foi readequar o projeto, de modo que ele não ficasse tão caro. “Para terminar a obra hoje, nos moldes do projeto original, os custos passam de R$ 1,4 milhão. Não é viável. O projeto original, feito pela administração anterior, era um poço de problemas. Nós queremos fazer uma obra honesta, através de um projeto mais barato, mais simples e mais multiuso, dentro das condições do município”, destaca Beto.
A nova obra deve ser feita a um custo de pouco mais de R$ 600 mil, mantendo o mesmo conceito do projeto inicial: um centro cultural e artístico, reunindo em um único espaço diversos aparelhos culturais, como biblioteca, museu, salas de aula, entre outros. A Prefeitura deve receber o apoio do Paranacidade, autarquia ligada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e que já visitou a obra.
OBRA PARADA
A ordem de serviço para a revitalização do prédio, transformando o espaço no Quarteirão da Cultura, foi assinada no dia 12 de novembro de 2007. A empresa vencedora da licitação foi a Efer Construções Ltda., de Nova Esperança, que tinha 240 dias para entregar o prédio pronto. Dentro dos critérios legais previstos dentro do próprio contrato, a empresa foi obtendo aditivos de prazos, o que a credenciou a permanecer com o domínio da obra até o início de 2010, quando ela foi paralisada.
Foram constatados problemas na empresa, que decretou falência, deixando a obra inacabada. Hoje, os quatro pisos existentes acima do Cine Teatro Fênix servem apenas como pombal: dezenas de aves ocupam os pavimentos, que estão cheios de excrementos e até aves mortas. “Infelizmente, a paralisação das obras fez com que vários equipamentos fossem perdidos. Aparelhos de ar-condicionado nunca usados terão que ser jogados fora”, diz o prefeito.
Comércio lamenta demora
A demora para a conclusão da obra, iniciada há quase 10 anos, incomoda comerciantes da região. O proprietário de uma relojoaria próxima ao prédio, Wanderley Morita, acredita que se o prédio estivesse pronto, todo o comércio iria ser beneficiado. “Esperamos que a obra seja retomada o quanto antes. Um prédio desse, inacabado, desvaloriza a região, que poderia ser beneficiada com um fluxo maior de pessoas”, afirma.
A auxiliar Daniele Santos, que trabalha em uma sorveteria na região, acredita que o abandono da obra causa estranhamento nos clientes. “É uma pena não só por não atrair mais gente para a região, mas também porque acho que Apucarana precisava de um espaço cultural desse. Além disso, aquela sujeira toda pode proliferar doenças”, diz.