O número de reclamações de compras online tem registrado um crescimento progressivo nos últimos anos na unidade do Procon de Apucarana. Por exemplo, no último semestre de 2015, o órgão registrou cerca de 80 queixas por mês. Já neste semestre, o dígito saltou para 115, o que representa um aumento de 43% neste tipo de atendimento. Entre os principais motivos que têm levado os consumidores a procurar o Procon estão a não entrega do produto e o descumprimento do prazo de entrega.
O empresário apucaranense Edimilson de Oliveira, que realiza há anos compras pela internet pela facilidade e variedade de produtos, espera há três meses receber o produto que comprou numa grande rede de lojas. “Comprei no site um bebedouro de pressão de R$ 1, 8 mil e recebi, depois de muita insistência, um bebedor muito inferior, de R$ 400”, revela. Na entrega, que foi feita por um mototaxista, não foi deixada nem a nota fiscal do produto.
Segundo ele, no site, no ato da compra, a entrega estava prevista para 14 dias, mas passou um mês e não havia recebido o produto ainda. “Precisei entrar em contato até com a ouvidoria e depois de 14 dias chegou o produto errado. Liguei novamente para falar que veio errado e deram um prazo de 7 dias para fazer a troca, que não foi feita até hoje (ontem) ”, diz.
Para o coordenador do Procon, de Apucarana, Robson de Souza Cruz, as reclamações deste tipo crescem a cada dia e são praticamente as mesmas. “Não entregam o produto prometido ou entregam fora do prazo. Em outros casos, o produto aparece com um preço, mas na hora de efetuar o pagamento surge outro”, argumenta.
O coordenador chama a atenção que esta não é uma situação que envolve apenas empresas de pequeno porte, mas também grandes redes de magazines. Além disso, ele observa que é comum também os consumidores caírem em golpes na internet. “As quadrilhas especializadas neste tipo de golpe também aumentando a cada dia. Tanto é que recentemente foi identificado uma empresa de fachada, a Tanaka Play, em Apucarana”, recorda.
Outro caso citado por Cruz é de um consumidor da Bahia que comprou um notebook numa empresa de Apucarana, mas era golpe. “Usaram os dados de uma empresa de Apucarana para aplicar o golpe”, afirma. A compra foi feita num site de vendas online conhecido em todo Brasil. “Tanto a empresa quanto o comprador são vítimas neste caso”, sublinha.
Para não cair em golpes, o coordenador aconselha pesquisar informações sobre a empresa, com CNPJ, fazer contato via telefone e também verificar certificados de garantia, além de pesquisar em sites de reclamações na própria internet.
Telefonia e bancos são líderes de reclamações
Operadoras de telefone, bancos e financeiras lideram a lista de reclamações do Procon em Apucarana. Juntas representam 60% das notificações do primeiro semestre de 2016. No caso da telefonia, segundo coordenador do órgão, Robson de Souza Cruz, as queixas são por não cumprirem os serviços ofertados e por cobranças indevidas. “Em caso de cobrança indevida, a operadora tem que fazer a restituição em dobro ao consumidor”, afirma.
Já as financeiras, além dos juros abusivos, Cruz observa que uma reclamação constante é o depósito do valor contrato fora da data prevista. “Em alguns casos, há registro do valor ser liberado mais de 20 dias após a data contratada”, diz.
Quanto ao comércio local, o coordenador comenta que o prazo de entrega e montagem lideram as reclamações. “Também é comum problemas com o prazo de garantia de eletrônicos e móveis. Na hora da venda, o vendedor passa um prazo maior ao do fabricante e depois a loja não cumpre”, assinala.
Ainda no comércio, de acordo com Cruz, é comum ter diferença entre o preço anunciado e o registrado na hora da compra. Outra reclamação que tem chegado com frequência ao Procon é a cobrança da taxa de administração do cartão de crédito. “Essa prática é proibida. O valor da venda deve ser o mesmo à vista, a prazo ou parcelado”, frisa.