A milenar atividade de criação de bicho-da-seda (sericultura) é ainda hoje uma boa fonte de renda para pequenos produtores rurais. No Vale do Ivaí, o sistema de produção é feito de forma integrada com as indústrias de fiação, que repassam para os produtores as lagartas em fase inicial de desenvolvimento. A atividade abrange o cultivo da amoreira, alimento do do bicho-da-seda, e as atividades referentes à produção e preparo dos casulos.
Na safra 2015/2016, de acordo com o Departamento de Economia Rural, o Paraná produziu 2.195 toneladas de casulos, 5% mais do que no ano anterior. O volume responde por 86% da produção nacional.
Segundo o técnico Rogerio Aparecido Ugucioni, da Fiação de Seda Bratac, o Paraná é o maior polo de sericicultura do Brasil e o terceiro maior do mundo. “É um mercado que se encontra em expansão. Além do uso tradicional, o material vem sendo desenvolvidas novas aplicações para a fibra, abrindo perspectivas para os exportadores”.
Na região de Jardim Alegre, onde a empresa tem um depósito, Ugucioni acredita que tem potencial para crescer pelo menos 50% nos próximos anos. Atualmente a empresa atende 126 produtores nos municípios de Jardim Alegre, Ivaiporã, Ariranha do Ivaí, Lidianópolis, Kaloré, Godoy Moreira e Rio Branco do Ivaí.
Em Jardim Alegre, o produtor Emerson Donizete Bortholassi conta que a família está na atividade há mais de 20 e se mostra satisfeito. Em dois barracões, a produção garante ganhos de até R$ 7 mil por mês de setembro a maio. A área com plantio de amora do sítio é de 1,5 alqueire.
O período em que vive como a lagarta é dividido em cinco fases ou idades, durante as quais é sempre alimentada com folhas da amoreira. “Em média o manejo até a formação do casulo é de 27 dias. Praticamente toco sozinho nas primeiras duas semanas. Nas semanas finais, no período em que as lagartas comem mais conto com a colaboração de mais um rapaz que me ajuda a cortar as amoras”, relata Bortholassi.
O produtor explica que o manejo é feito sobre esteiras, que também são conhecidas como camas de criação. “Tem que ser um local limpo, livre de contaminação e com boa circulação de ar. Também é preciso estar atento e controlar a temperatura e a umidade do ar conforme cada idade do bicho-da-seda”, completa Botholassi.
Além da sericultura, Bortolassi, produz café em área de 2,5 alqueires. “Financeiramente o bicho-da-seda é bem melhor que o cafezal”.