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Produtores reclamam do preço do milho

Ivan Maldonado

| Edição de 09 de julho de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Com apenas 2% das lavouras de milho colhidas na regional da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) de Ivaiporã, as previsões de tempo, pelo menos durante a próxima semana, permitirão que agricultores acelerem o ritmo da colheita segunda safra. As expectativas de produção são muito boas, porém, com o mercado do grão em baixa, produtores estão apreensivos. 

A projeção do Departamento de Economia Rural (Deral) é de que os 22 municípios do Vale do Ivaí e região central do estado ligados à regional da Seab de Ivaiporã devam colher 250 mil toneladas do grão em área plantada de 50 mil hectares. O volume é 103,25% superior ao da temporada anterior, quando foram colhidas 123 mil toneladas em área de 45,2 mil ha. A previsão de rendimento nessa safra é de 5.000 quilos por hectare contra 2.770 quilos por hectare em 2016.

Imagem ilustrativa da imagem Produtores reclamam do preço do milho
Agrônomo Sergio Carlos Empinotti, do Deral de Ivaiporã: clima favoreceu segunda safra do milho | Foto: Ivan Maldonado

Conforme o agrônomo Sergio Carlos Empinotti, do Deral, o clima ideal desde o plantio favoreceu as lavouras do milho segunda safra. “Embora houvesse expetativa de seca, isso não aconteceu. Até agora, as condições pluviométricas foram sossegadas, dentro do que precisa a lavoura para um bom desenvolvimento”, enfatiza Empinotti. 

Da área destinada à produção do milho na regional de Ivaiporã, 40% se encontra em fase de frutificação e 58% em maturação. “Até agora temos aproximadamente 2% da área colhida. Como não temos previsão de chuvas para os próximos dias, a colheita deve avançar bastante a partir de segunda-feira”. 

PREÇOS 
Apesar da boa produtividade, os produtores rurais estão preocupados com o resultado por conta da queda dos preços no mercado. No início do plantio, o grão estava cotado em torno de R$ 25,00 a saca de 60 quilos. Na última sexta-feira (7), no entanto, o mercado do milho em Ivaiporã registrava R$ 18,20. 

No ano passado, nessa mesma época, a cotação batia o preço recorde de R$ 32,00. Segundo o agrônomo do Deral, Sergio Carlos Empinotti, a desvalorização do cereal se deve principalmente à boa safra brasileira, que tem previsão de colher cerca de 62,7 milhões de toneladas. “Essa queda nos preços é bastante significativa e vai afetar consideravelmente a rentabilidade dos produtores”, comenta Empinotti. 

Atraído pelo mercado no início do plantio, o produtor Reginaldo da Silva Almagro, de Ivaiporã, plantou 8 alqueires de milho na localidade de Pindauvinha. "Com esse valores não pago as contas", relata Almagro. 
Segundo ele, se o mercado continuar nesses mesmos patamares, o prejuízo dele será de R$ 1 mil por alqueire. 

“Um saco de semente de 12 quilos custa hoje R$ 620,00. Para plantar um alqueire foi quase três saquinhos, aí tem adubo, veneno, ureia, o diesel para a colheita, a mão de obra... Com os preços atuais, o prejuízo é certo”, completa Almagro.