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Programa reabilita agressores domésticos

Renan Vallim

| Edição de 28 de setembro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Um programa realizado em Arapongas tem dado suporte psicológico para reabilitar homens envolvidos em agressão doméstica. Ao todo, cerca de 90 estão sendo acompanhados pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras), que iniciou recentemente uma nova etapa do atendimento com a formação de dois grupos de discussão com o objetivo de compartilhar experiências e orientar os participantes.

O chamado ‘Projeto SIGA’ é desenvolvido através da cooperação entre a Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal (GM), Secretaria Municipal de Saúde e Poder Judiciário. O projeto tem por objetivo realizar, através de palestras, orientações e sessões de terapia, a reabilitação dos agressores.
Todos os condenados através da Lei Maria da Penha em Arapongas são obrigados, por força de sentença, a procurarem o Cras da cidade em até cinco dias após proferido o veredito. Eles passam por psicólogos e psiquiatras, que avaliam a origem da violência (que pode ser um problema psicológico, uso de drogas ou álcool, ou comportamentos machistas, entre outros), e realizam terapia individualmente.
Agora, a novidade é o desenvolvimento de rodas de conversa. Dois grupos, com 15 homens cada, realizaram a primeira reunião recentemente. “Ao todo, cada grupo terá quatro encontros a cada quinze dias, sempre às terças-feiras, em semanas alternadas. O objetivo é orientar, tirar dúvidas e também ouvir estes homens. Eles acabam compartilhando experiências e evoluindo uns com os outros”, destaca a guarda municipal Denice Amorim Pereira, coordenadora da Patrulha Maria da Penha.
Segundo ela, a intenção é realizar novos grupos, visto que a demanda é alta. “Estes são apenas os dois primeiros grupos. Existem outros 60 homens, aproximadamente, sendo atendidos no Cras. Há uma triagem para identificar os que mais se adequam ao sistema de reuniões. Aos poucos, vamos desenvolvendo e consolidando cada vez mais o projeto”, diz.
A reportagem conversou com um dos participantes desses grupos, que preferiu não se identificar. Ele afirma que, após 28 anos de casamento, a mulher pediu uma medida protetiva contra ele, concedida há poucas semanas. “Acabamos brigando por vários motivos: a família dela, religião... Ultimamente, por causa da falta de dinheiro, tive que controlar mais os gastos da casa. Mas não agredi ela”, nega ele.
O homem afirma que a reunião foi produtiva. “Foi muito bom, uma conversa muito promissora. Não me senti julgado. Acho que o projeto é importante para melhorarmos como homens. Espero poder, um dia, voltar para minha esposa”.