Em uma ação que deixou a polícia de mãos atadas e a população de Ortigueira assustada, uma quadrilha fortemente armada usou uma retroescavadeira e uma escavadeira hidráulica para invadir uma agência do Itaú e chegar aos cofres. As autoridades acreditam que o crime mobilizou pelo menos 15 criminosos em sete veículos. Na fuga, para despistar a polícia, os bandidos colocaram fogo em carretas estacionadas em um posto de Mauá da Serra, a acerca de 60 km de distância. O incêndio atingiu sete veículos.
Segundo informações da Polícia Militar (PM), parte da quadrilha cercou o banco por volta da 1 hora. Os maquinários usados no furto, recém adquiridos pela prefeitura, estavam estacionados a cerca de 100 metros da agência, em frente à sede da administração municipal. Enquanto os bandidos agiam no banco – além da fachada, uma das paredes foi parcialmente derrubada -, outro grupo cercou o destacamento da PM e a delegacia e disparou vários tiros para impedir ação dos policiais e inibir a aproximação de moradores.
Um caixa eletrônico foi arrancado e quatro cofres da agência foram retirados com ajuda dos maquinários. Três dos dispositivos foram deixados para trás pelos bandidos. O valor levado não foi divulgado.
Um vigia da prefeitura também foi rendido e amarrado pela quadrilha mas não se feriu. Segundo a polícia, os bandidos trouxeram combustível para abastecer as máquinas da prefeitura.
A ação durou menos de meia hora e os bandidos fugiram em vários carros diferentes. Testemunhas identificaram uma caminhonete, um Celta e até um micro-ônibus suspeitos que estariam sendo usados pelos bandidos.
Ontem, a área foi cercada e interditada pela Polícia Civil para as investigações. Peritos do Instituto de Criminalística de Curitiba chegaram na tarde de ontem para fazer levantamento de impressões digitais deixadas na agência e maquinários.
Essa não é a primeira vez que quadrilhas sitiam a cidade. Em julho, duas agências bancárias foram destruídas simultaneamente e uma terceira foi danificada por ladrões que usaram dinamite para chegar aos caixas eletrônicos. A ação também envolveu grande quantidade de homens com armamento pesado e intimidação dos policiais.
O secretário de Governo de Ortigueira, Francisco Carneiro Júnior, afirma que a falta de segurança é o principal 'calcanhar de Aquiles' do município. "A cidade está crescendo e precisa de mais policiamento. Já é o segundo ataque desse tipo só neste ano. Os grupos são grandes e organizados e a prefeita (Lourdes Banach) já foi várias vezes a Curitiba para pedir a instalação de uma Companhia da PM no município, o que traria mais policiais a Ortigueira”, comenta o secretário que destaca que hoje, um reforço de efetivo vindo de outra cidade demora entre 30 e 40 minutos.
Ainda de acordo com ele, o maquinário havia acabado de chegar ao município. "As máquinas chegaram ao município no sábado e são novas. A escavadeira hidráulica sofreu danos no para-brisas. Já a retroescavadeira não teve avarias".
Incêndio destruiu sete carretas em Mauá da Serra
Inicialmente relacionado com a greve dos caminhoneiros, o incêndio criminoso que destruiu sete carretas na madrugada de ontem, no pátio de um posto de combustíveis, em Mauá da Serra, é apontado pela Polícia Civil como parte de estratégia de fuga da quadrilha.
Essa é a principal tese do delegado José Aparecido Jacovós, chefe da 17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana, para explicar o crime. De acordo com Jacovós, testemunhas avistaram os autores em uma caminhonete de cor branca - possivelmente uma Amarok, no pátio do estabelecimento, minutos antes do incêndio. "O mesmo veículo visto na ação da quadrilha foi visto depois em Mauá da Serra, no pátio do posto", reitera.
O tempo entre as ocorrências é outro fator que chama a atenção da polícia. Segundo o delegado, o incêndio aconteceu cerca de 40 minutos depois do ataque. As cidades estão localizadas a 60 quilômetros de distância uma da outra, e o tempo médio de tráfego, em velocidade adequada, é de 50 minutos.
O delegado acredita que os bandidos atearam fogo nos caminhões para despistar a polícia. "Há uma ligação entre as duas cidades, uma rota de fuga e, possivelmente, os bandidos fugiram por aquela região", acrescenta.
Conforme informações de funcionários do posto de combustíveis, dos sete veículos atingidos pelo fogo, que só foi controlado pela manhã, seis ficaram completamente destruídos. A maior parte delas é de propriedade de moradores de Mauá que utilizam o espaço para estacionar seus veículos. Apenas um motorista dormia em uma cabine no momento do crime, no entanto, ouviu a movimentação e conseguiu sair ileso.
Como o incêndio ocorreu em meio a greve dos caminhoneiros, houve suspeita de que o crime teria relação com a paralisação. No entanto, o delegado-chefe considera a possibilidade muito remota, contudo, não será descartada no curso das investigações.