Natural de Faxinal, Gabriel Fidélis, de 16 anos, quer ser padre. O adolescente é um dos 41 seminaristas em formação nos dois seminários da Diocese localizados em Apucarana: o Seminário Menor São José (SEMDA) e o Seminário Maior Diocesano São João Maria Vianney. “É um chamado de Deus e não tem como contrariar. Não adianta procurar outras coisas porque nada supre esse vazio”, conta Gabriel.
O adolescente sintetiza esse novo perfil de vocação sacerdotal na Igreja, explica o padre Rafael Rabelo, reitor do Seminário Maior Diocesano São João Maria Vianney. Segundo ele, os futuros padres estão mais decididos em seguir a vida religiosa. Ele explica que há 30 anos existiam mais seminaristas, mas tratava-se mais de uma questão cultural do que vocacional. “As pessoas tinham o desejo de ter um religioso na família. Hoje, a perseverança aumentou muito, já que quem entra é mais pela parte vocacional do que cultural ou devido aos estudos”, reforça o padre, lembrando que em agosto a Igreja comemora o Mês das Vocações.
O período exigido para ingressar no seminário, segundo o padre Rafael, é a partir da conclusão do nono ano do Ensino Médio, ou seja, com 15 e 16 anos. Primeiro o jovem entra no seminário menor, quando ainda não tem o Ensino Médio concluído, depois passa para o propedêutico, seguido pelo curso de Filosofia e na sequência começa o curso de Teologia, em Londrina, na PUC. “Vocação é uma realização interior e difere da profissão”, explica o padre, acrescentando que o número de seminaristas vem se mantendo estável nos últimos anos.
Gabriel estuda no Seminário Menor com os colegas Bruno Santos, 17; Vitor Floriano, 16; e João Pedro Juliani, 15, que outros cinco internos. O seminarista que veio de Faxinal frequenta a igreja desde cedo. “Sempre disse para a minha avó que queria estar no lugar do padre, celebrando missas”, recorda.
Com Vitor, nascido em Santa Fé, foi bem parecido. Porém, quando tinha 13 anos chegou a pensar que não queria seguir o caminho sacerdotal. “Desisti por um tempo por pensar que talvez fosse algo de criança, mas a vocação falou mais alto”, conta.
No ano passado, após participar de encontros vocacionais, o jovem seguiu o “chamado”, que o acompanhava desde criança. “Não é fácil. Você tem que enfrentar e viver com pessoas diferentes; você entrega a sua segurança na mão de alguém que você não conhece, muda de cidade, fica longe da família. Mas tudo isso vale a pena”, ressalta.
Assim como os companheiros de seminário, João Pedro, de Rio Bom, também teve o apoio da família e foi coroinha durante 9 anos. “Quando ia à missa com a minha avó ela dizia que meu lugar era no altar e desde muito cedo fui recebendo ‘chamados’ de Deus”, sublinha. Para João, todo seminarista tem que carregar uma cruz pesada porque é assim que se formam bons padres.
Desde os 9 anos, o seminarista Bruno, de Santo Inácio, percebeu que sua vocação era ser padre. Porém, em um período tentou esconder da família e dos amigos, e chegou a namorar e frequentar festas. “Eu estava afastado da igreja, mas voltei para a catequese e sempre sentindo chamado, mas eu negava”, explica.
Bruno conta que sentia um vazio muito grande e quando participou de um encontro vocacional percebeu que seu caminho era o sacerdotal. “Não adianta ir contra. Você nunca vai conseguir ser feliz”, ressalta.