Com quedas de produtividade devido ao clima seco e as geadas, a segunda safra de milho deve ter uma quebra de 60% na região. A estimativa é do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab) que calcula um prejuízo de mais de meio bilhão de reais nas regionais de Apucarana e Ivaiporã. Cerca de 320 mil toneladas do grão deixarão de ser colhidas.
No Núcleo Regional de Apucarana, que abrange 13 municípios, a expectativa inicial de produção e de valor eram de 270 mil toneladas e R$ 435,7 milhões. Agora, a probabilidade é que se colha pouco mais de 126 mil toneladas (53%) com retorno financeiro de R$ 204,8 milhões com a comercialização da saca de 60 kg cotada a R$ 97. Financeiramente a perda é estimada em R$ 231 milhões. Segundo o Deral, esta pode ter sido a maior perda registrada nas lavouras de milho nos últimos anos.
“Principalmente devido ao alto valor da saca hoje e o aumento da área plantada do milho segunda safra, pois devido à valorização nos preços, aumentaram as áreas plantadas no inverno desta cultura que, na verdade, é uma cultura de verão”, avalia o técnico Adriano Nunomura, do Deral.
A cultura vem sofrendo desde o final de março com a estiagem. Depois, no final de junho, as geadas pegaram a maior parte das lavouras em cheio, justamente na época da frutificação, fase crítica para perdas. Além de comprometer mais da metade da produção estimada inicialmente, o Deral também prevê queda na qualidade dos grãos que ‘sobreviveram’ as adversidades climáticas. Outro fator que preocupa os agricultores é o tempo seco, o que favorece os incêndios ambientais, ainda mais com áreas queimadas pelas geadas. “A incidência de incêndios tem aumentado, principalmente nas áreas de pastagem, que pode também atingir as lavouras de milho”, comenta.
EM ALTA
O preço da saca de milho de 60 kg subiu 115% em comparação com o mesmo período do ano passado. O produto, que era vendido a R$ 45, custa em média R$ 97. No entanto, poucos produtores irão conseguir se beneficiar com os bons preços, por causa da quebra. Nunomura explica que devido ao atraso na colheita da soja, a maioria dos produtores foram obrigados a plantar mais tarde, fora do período ideal, e isso fez com que as lavouras fossem atingidas bem na fase crítica. “Este ano está difícil, apesar dos bons preços de mercado, os produtores estão sofrendo devido as adversidades climáticas”, lamenta.
Quase todas as plantações da região estão na fase de maturação, com aproximadamente 3% das áreas colhidas.