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Queda na cotação do grão aumenta prejuízos para agricultores

IVAN MALDONADO IVAIPORÃ

| Edição de 28 de junho de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O longo período de estiagem nos meses de abril e maio trouxe prejuízos aos produtores de feijão no Vale do Ivaí. A colheita na região de Ivaiporã foi concluída há duas semanas e, conforme informações do Departamento de Economia Rural (Deral), a quebra é de 50% em relação ao inicialmente esperado para a segunda safra. A estimativa era colher em torno de 90 sacas por alqueire. A baixa cotação do produto também preocupa o setor.

Na região de Ivaiporã, o feijão ocupou nesta temporada 6,9 mil hectares, uma área 8% menor que safra anterior, quando o grão foi semeado em 7,4 mil ha. Os preços também chegaram a patamares bem abaixo do esperado. Ontem o mercado de feijão carioca em Ivaiporã se mantinha em torno de R$ 80 a saca de 60 quilos, valor que não cobre o custo de produção. Em março, o produto chegou a ser comercializado no município a R$ 120 a saca. 
Conforme o cerealista Marcos Vicente Raizama, apesar da queda na produtividade, a qualidade do produto é boa. “A gente esperava uma grande safra de feijão. Até uns 30 dias depois do plantio o feijão vinha desenvolvendo bem, mais daí veio aqueles 45 dias de seca e acabou com tudo. A planta, quando não conta com condições favoráveis, dá abortamento de flores, consequentemente um número menor de vagens. Só que as vagens que não foram abortadas produziram um feijão de boa qualidade”. 
Com relação à queda do preço, o cerealista explica que há estoque da safra antiga em volume necessário para atender a demanda. Isso por conta da entrada no mercado de safras de outros estados que passaram a produzir a leguminosa. “O comércio está muito ruim, sobrando muito feijão de outras safras e com isso o preço só vai baixando. Apesar da quebra aqui da região, outras regiões estão produzindo feijão feito soja”. 

REDUÇÃO
Segundo o engenheiro agrônomo Sérgio Carlos Empinotti, do Deral, com os prejuízos constantes nas últimas safras e o aumento da área plantada em outras regiões do país, a tendência é que o produtor regional reduza plantio do feijão das águas primeira safra, que será plantado a partir de agosto. 
“O preço não está muito bom e se produz hoje praticamente de norte a sul do Brasil com produção suficiente para manter a demanda. Acredito que aqui na região a área plantada deve ter uma redução de 5 a 10%”, avalia. No ano passado, o feijão de primeira safra foi semeado em área de 10,3 mil hectares.