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Rachaduras assustam moradores em Arapongas

Cindy Annielli, agências

| Edição de 13 de janeiro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Além da falta d’ água, as chuvas causaram prejuízos para vários moradores da cidade, que viram surgir rachaduras em suas casas. Pelo menos 90 famílias foram afetadas. Ontem, a Defesa Civil do município vistoriou várias moradias que apresentaram rachaduras ou risco de desmoronamento. Até as 12 horas, 8 imóveis haviam sido interditados. As famílias foram abrigadas por parentes e não necessitaram de auxílio da Assistência Social.

Imagem ilustrativa da imagem Rachaduras assustam moradores em Arapongas

Por precaução, a prefeitura informou que a Escola Municipal Joarib Grillo Cordeiro, no Jardim Primavera está preparada e equipada para receber possíveis desabrigados. Ontem, o prefeito em exercício, Pedro Paulo Bazana, convocou reunião emergencial com secretários de todas as pastas para avaliar danos e discutir a possibilidade de decretar estado de emergência.

Os bairros mais afetados foram: Conjunto Araucária, Conjunto Tropical, Jardim Columbia, Jardim Caravele, Jardim Primavera, Jardim Santo Antônio e Jardim São Bento. Também houve registro de desmoronamentos e alagamentos em duas empresas e um clube da cidade.

TREMORES

Além da chuva, moradores de alguns bairros da cidade relatam um tremor que teria causado as rachaduras. Era por volta das 2 da madrugada quando a família Batista acordou assustada com um forte estrondo. Os moradores do Jardim Araucária, foram surpreendidos com rachaduras em vários cômodos da casa. Na edícula, a parede quase desmoronou. “Fiquei com muito medo. Nem conseguimos voltar a dormir”, disse o pedreiro Francisco Batista Filho, 56 anos.

A família está preocupada e cogita deixar o imóvel temendo desabamento. “Moramos há 6 anos no local e nunca vi nenhuma goteira na minha casa. Não sei o que pode ter acontecido”, comenta a esposa Maria batista.

O comerciante Márcio Feliciano, 41 anos, morador do mesmo bairro, disse que a parede do quarto do filho ficou trincada. “Eu tenho comércio e muitas pessoas disseram que sentiram tremores a noite. Eu não senti e nem ouvi nada, mas aquelas rachaduras apareceram esta madrugada”, afirma.

O pintor Valter Santos, 36 anos, garante ter sentido um tremor por volta das 2 horas da madrugada. “Estava chovendo muito e sentir a terra tremer sim. E não foi só eu que percebi. A casa do meu sogro está cheia de rachaduras”, afirma.

No Jardim Caravele, várias casas apareceram rachadas. “Senti um tremor durante a madrugada e ouvi um estalo. Minha mãe foi ver e encontrou as paredes rachadas”, disse o estudante Eros Souza Silva, 15 anos. De acordo com ele, uma fossa cedeu e a Defesa Civil teria informado que há risco de desmoronamento. Como o imóvel é alugado, a imobiliária providenciou outra casa para a família imediatamente.

Até o fechamento desta edição a prefeitura ainda não havia concluído o levantamento e mais casas podem ter sido interditadas. “O levantamento não foi concluído e não descartamos a possibilidade de decretar estado de emergência. Vamos avaliar os casos com cuidado para atender as necessidades dos moradores afetados”, assinala o prefeito em exercício, Pedro Paulo Bazana.

Cratera aberta na PR-444 dificulta trânsito

A enxurrada forte também interditou totalmente um trecho inicial da rodovia PR-444, entre Arapongas e Rolândia. O deslizamento de terra que resultou na abertura de uma cratera. O buraco engoliu toda a pista impossibilitando o tráfego de veículos.

Ontem, a concessionária Viapar que administra o trecho bloqueou o km 5 da rodovia, na saída para Maringá e desviou o tráfego para a o centro de Arapongas (para acessar a BR-369) o que causou grande lentidão no trânsito principalmente na manhã e no final da tarde de ontem por conta do grande fluxo de veículos pesados.Por enquanto não há previsão para a reconstrução do trecho.

Imagem ilustrativa da imagem Rachaduras assustam moradores em Arapongas

A interdição do contorno de Rolândia da BR-369, também por conta de queda de barreiras, obrigando o tráfego pela pista velha, por dentro de Rolândia, também provocou grandes filas a partir do pedágio de Arapongas. O trecho, liberado no final da tarde, tornou a ser interditado no início da noite por conta de um acidente, mas deve ser liberado ontem.

Municípios estimam prejuízos

Ontem foi dia de levantar prejuízo e ajudar famílias também em outros municípios da região afetados pelas enxurradas da última segunda-feira.

Em Marilândia do Sul, levantamento da Defesa Civil aponta que pelo menos 200 pessoas foram afetadas pela cheia do Ribeirão Bonito. Segundo a secretária de Assistência Social e primeira-dama Annderliea Bueno Mileski, o rio começou a baixa na tarde de ontem mas muitas famílias foram prejudicadas nas regiões do Conjunto Menegoto e Loteamento Conquista.

“Passamos o dia recolhendo doações e verificando as necessidades de cada família”, comenta.

Em Novo Itacolomi, os rios Azul e Marumbizinho causaram estragos principalmente na zona rural. Cabeceiras de pontes foram levadas pela enxurrada, uma granja com 20 mil frangos foi alagada, uma casa foi totalmente submersa e várias estradas rurais vão precisar de melhorias, comenta o coordenador da Defesa Civil, Dorival da Silva.

Os municípios esperam o tempo firmar para estimar prejuízos nas lavouras.

Transtornos para 700 mil paranaenses

Cerca de 700 mil pessoas foram atingidas pelas fortes chuvas no Paraná, segundo estimativa da Defesa Civil. Maioria desses moradores está sem o abastecimento de água ou enfrenta dificuldades com o fechamento de estradas. As regiões Norte e Noroeste são as mais afetadas.

Balanço da Defesa Civil, divulgado ontem, aponta que 8,3 mil pessoas foram afetadas diretamente em 28 municípios. Destas, 1.310 ficaram desalojadas, sendo que 991 permanecem fora de suas casas. Há também 110 pessoas desabrigadas. Foram danificadas 490 casas e outras oito foram destruídas.

O chefe da Casa Militar e coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Adílson Castilho Casitas, afirmou ontem, em coletiva à imprensa, que o Governo do Estado reforçou o atendimento às regiões mais atingidas. “O governador Beto Richa determinou à Defesa Civil ações imediatas para o atendimento dos municípios”, afirmou Castilho.

O helicóptero da Casa Militar foi enviado a Londrina para ampliar a cobertura do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA), que já conta com uma aeronave. Técnicos da Defesa Civil também foram deslocados para a região. As equipes da Copel e da Sanepar estão mobilizadas para monitorar os níveis de rios e barragens que podem transbordar e causar alagamentos e também para acompanhar os possíveis desabastecimentos de água e luz.

O meteorologista do Simepar, Samuel Braun, explicou que o tempo deverá permanecer instável durante toda a semana, mas com um volume de chuvas menor do que nos últimos dias. (AEN)

Uma pessoa está desaparecida desde a tarde de segunda-feira em Rolândia. Um motorista de ônibus que seguia em uma estrada rural foi levado com o veículo pela cheia do Rio Bandeirantes.

Odair José, de 35 anos, seguia pela estrada dos Pioneiros, conduzindo um ônibus vazio de uma empresa de couros. Segundo testemunhas, ele foi surpreendido pela enxurrada e o ônibus foi levado pela correnteza. A cena foi filmada pelas testemunhas que estavam do outro lado do rio e as imagens ganharam repercussão nas redes sociais.

O Corpo de Bombeiros de Rolândia foi acionado logo após o acidente e ontem à tarde as equipes de busca ainda procuravam pelo motorista. Já o ônibus que ele dirigia foi localizado na manhã de ontem totalmente destruído.