A Polícia Civil de Apucarana cumpriu na tarde de ontem um mandado de prisão contra uma pessoa envolvida no caso do desvio de vacinas contra a Covid-19. Trata-se de rapaz de 22 anos, já citado em denúncia do Ministério Público (MP) em junho deste ano por se imunizar indevidamente fora da ordem prioritária, que incorreu em crime novamente e obteve uma terceira dose do imunizante.
Segundo o MP, o pedido de prisão preventiva ocorreu pelo novo ilícito. Após conseguir burlar o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização, o detido foi mais vacinado novamente, agora com o imunizante da Pfizer - quando furou a fila no início da campanha de vacinação, ele havia sido vacinado com duas doses da Coronavac.
“O réu responde a ação penal pelas práticas do crime de peculato e infração de medida sanitária, pela prática conhecida como fura-fila. Ele se aproveitou do fato de que seu pai trabalhava na Autarquia Municipal de Saúde para ser imunizado fora do grupo prioritário por ocasião da aplicação de vacinas em uma clínica de repouso de idosos. Agora, quando chegou a vez de sua faixa etária, ele se aproveitou de uma inconsistência no sistema de consultas do Plano Nacional de Imunização e recebeu uma terceira dose. Somente depois da aplicação os profissionais da saúde souberam do fato e acionaram o MP”, explicou a promotora Fernanda Lacerda Trevisan Silvério.
Na ordem de prisão, o Juízo da 1ª Vara Criminal de Apucarana afirma que o requerido “demonstra claramente seu descaso com o próximo e com a vida humana, bem como seu egoísmo, praticando, por mais de uma vez, condutas afrontosas à campanha de vacinação”.
O CASO
O rapaz preso é um dos 17 indiciados pelo MP em processo que apura responsabilidades criminais do desvio de doses de vacina. O caso veio à tona após a prisão de Silvania Regina Ribeiro, que se passou por enfermeira e foi admitida como voluntária no sistema de vacinação do município. Segundo o MP, entre entre 16 de abril e 11 de maio, ela imunizou com vacina desviada pelo menos 12 pessoas que não preenchiam os requisitos. O rapaz detido ontem é filho de um servidor AMS que também responde sindicância interna, assim como o coordenador da vacinação à época, Luciano Pereira.