CIDADES

min de leitura - #

Recusa familiar é desafio para doação de órgãos

DA REDAÇÃO

| Edição de 18 de agosto de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

As captações de órgãos na região recuaram 47% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com dados da Central Estadual de Transplantes (CET), foram 17 doações nos primeiros 6 meses de 2019 contra 9 doações no mesmo período deste ano, nos hospitais de referência de captação de órgãos em Apucarana, Arapongas e Ivaiporã.

A pandemia da Covid-19 contribuiu na redução dos protocolos, porém, a recusa familiar ainda é o maior desafio para as doações de acordo com profissionais que atuam na área. Os dados da CET demonstram que em 2019, de 29 potenciais doadores, 17% não realizaram a doação por conta de recusa familiar na região. Já em 2020, de 25 potenciais doadores, 20% não foram autorizados pelos familiares. 
Para a enfermeira Gredielli Rigobelo Luiz, vice coordenadora da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante do Hospital da Providência, o trabalho de conscientização é fundamental para reverter este quadro. “A recusa familiar ainda é nosso grande desafio em se tratando da doação de órgãos porque muitos familiares chegam com uma opinião contrária formada, e em outros casos, algumas famílias nunca ouviram falar. Nosso desafio enquanto comissão, é de levar informação sobre a seriedade do trabalho de doação de órgãos e tentar converter o maior número possível de recusas em doações”, explicou.
Em 2019, no primeiro semestre, o Hospital da Providência registrou 2 recusas familiares. Neste ano, no mesmo período, foi registrada uma recusa. A enfermeira ressalta que o melhor caminho para aqueles que desejam ser doadores, é conversar com a família sobre o assunto. “A gente nunca está preparada para uma situação como essa, por isso, se é desejo da pessoa ser doador de órgãos, é muito importante conversar sobre isso com a família, que é quem tem a palavra final sobre o assunto. É um trabalho sério, que obedece a rígidos padrões e protocolos estabelecidos e pode salvar vidas”, esclareceu. 
PANDEMIA AFETA CAPTAÇÃO
De acordo com o assessor da Central Estadual de Transplantes (CET/PR) Eder Novaske Biscouto, a pandemia de coronavírus influenciou na redução das captações de órgãos da região. “O isolamento social por conta da pandemia provocou uma redução no número de pacientes potenciais para doação de órgãos e, além disso, houve também um aumento na contraindicação por situação clínica que impede as doações. Por causa da janela imunológica, pacientes que apresentaram sintomas ou tiveram contato com pacientes da Covid-19, não podem ser doadores”, explicou.