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Reencontro ‘é remédio’ para haitiano

Cindy Annielli

| Edição de 14 de novembro de 2015 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Um reencontro emocionante com a esposa que não via há quase dois anos foi o ‘remédio’ que faltava para o haitiano Renand Jean Baptiste, 39 anos, que passou 21 dias internado no Hospital da Providência em Apucarana com um quadro de desnutrição e pneumonia.

Imagem ilustrativa da imagem Reencontro ‘é remédio’ para haitiano

Baptiste saiu da capital haitiana Porto Príncipe em meados de 2014, na esperança de proporcionar um futuro melhor para a mulher e os dois filhos pequenos e, desde então, só se contatava com os parentes por telefone. Engenheiro civil de formação, ele veio para o Paraná, onde conseguiu emprego em uma fábrica de móveis em Arapongas. Tempos depois, ele ficou desempregado e decidiu se estabelecer em Apucarana, onde passou a trabalhar e uma marmoraria.

Renand, que já não via a família há 1 ano e 8 meses, passou a morar com dois conterrâneos, até então desconhecidos, no Núcleo Habitacional João Paulo. Foi então que a saudade dos entes queridos somada as dificuldades de morar em um País estrangeiro começaram a pesar e o haitiano passou a definhar. Renand conta que perdeu a vontade de trabalhar, de se alimentar e de se comunicar. Preocupados, os colegas entraram em contato com a Cáritas Diocesana, que auxilia na causa dos imigrantes na região, que encaminhou o caso ao Hospital da Providência.

Mas uma agradável surpresa trouxe de volta a vitalidade e o otimismo que havia se perdido. A esposa, Marie Rosana Pierre Louis, 40 anos, saiu do Haiti direto para Apucarana especialmente para cuidar do marido doente. Ela chegou na noite de quinta-feira (12) e no dia seguinte Renand recebeu alta.

De acordo com a avaliação médica, foi o quadro emocional do paciente que desencadeou todas as complicações de saúde. Inicialmente, Renand foi diagnosticado com desnutrição e, devido à baixa imunidade, contraiu pneumonia, o que implicou na transferência para a UTI.

“Estava me sentindo muito triste com a falta da minha família. Sentia muita saudade dos meus filhos e da minha esposa”, contou o haitiano, em português.

Baptiste descreveu como ‘inexplicável’ a sensação que teve ao reencontrar a esposa. Ele e Marie, que estão juntos há cinco anos e têm filhos de 3 e 5 anos, só conversavam por telefone. “Fiquei muito feliz. Agora não quero mais ficar longe da minha família. Em breve quero trazer meus filhos para morar aqui”, disse empolgado.

Ele conta que, apesar da saudade, não se arrepende de ter vindo para o Brasil. “A situação está muito difícil no Haiti. Lá é muito difícil encontrar emprego. No Brasil tenho mais oportunidades e o povo é muito acolhedor”, comentou Baptiste.

A assistente social do Hospital da Providência, Suzelaine Carrascoso, conta que Renand chegou ao hospital através da Cáritas Diocesana. Diante do quadro do paciente, o hospital decidiu entrar em contato com a família, no Haiti. “Entramos em contato com dois primos dele que estão morando em Arapongas e conseguimos avisar a esposa no Haiti. Quando ela informou que viria para o Brasil, Renand estava na UTI, mas coincidentemente começou a apresentar melhora”, conta.

Curiosamente o paciente, que até então não havia falado uma só palavra começou a reagir ao tratamento, passando a se alimentar sozinho e a conversar com médicos e outros pacientes.

De acordo com a assistente social, a Cáritas Diocesana vai continuar acompanhando o caso de Renand que no momento está desempregado. “Também existe toda a rede de assistência do município e equipes de saúde da unidade básica que vão fazer o acompanhamento”, afirma.