Comemorado hoje, o Dia do Meio Ambiente chama atenção para um maior cuidado com a natureza. Mas existe uma maneira de aliar natureza e lucratividade. O plantio de madeira de reflorestamento tem movimentado grandes cifras em todo o Paraná. Só a região de Apucarana possui perto de R$ 780 milhões literalmente plantados no solo, ocupando aproximadamente 12 mil hectares da chamada ‘lavoura florestal’.
Rio Branco do Ivaí se destaca no cenário regional, com mais de 2,7 mil hectares plantados. Em um distante segundo lugar encontra-se Faxinal, com 1,7 mil hectares reflorestados. Apucarana fica em terceiro, com área perto de 1,3 mil hectares. Mauá da Serra fecha a lista das principais cidades, com pouco mais de 1 mil hectares.
O engenheiro agrônomo Fernando Martin trabalha como articulador de cultivos florestais na região para a Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Segundo ele, a madeira de reflorestamento é uma importante alternativa para a diversificação da atividade em uma propriedade, sobretudo em terrenos sem grande aptidão agrícola.
“O plantio pode ocorrer em áreas subutilizadas da propriedade. O custo de produção não é alto e a manutenção é simples, desde que se respeite alguns aspectos técnicos, que são basicamente o preparo do solo, a escolhe de mudas de qualidade e o controle de formigas e outras plantas invasoras”, destaca.
Mais de 90% das áreas da região são de plantio de eucalipto, planta melhor adaptada ao clima da região. Os usos mais comuns são para energia (alimentação de caldeiras industriais) e matéria-prima para a indústria moveleira. “É uma energia limpa, pois o carbono enviado para a atmosfera na queima da madeira é o mesmo que foi sequestrado enquanto a árvore ficou plantada. A região está em uma localização privilegiada, por ter indústrias próximas que necessitam da madeira, seja para energia, seja para móveis”, diz Martin, citando o polo moveleiro de Arapongas.
O cultivo pode acontecer de duas formas: em pequenos maciços florestais e integrado à pecuária. “Na integração com a pecuária, os ganhos são bastante interessantes. As árvores melhoram a pastagem e fazem sombra para o gado, o que impacta diretamente na qualidade do rebanho”, destaca.
Por ter retorno demorado, o cultivo de madeira de reflorestamento é chamado de ‘poupança verde’. O eucalipto gera ganhos de R$ 65 mil por hectare, resultando em lucro líquido médio de R$ 30 mil. Mas a maior parte do dinheiro só é recebido após 12 anos de cultivo.
Mogno africano é alternativa
Em Apucarana há ainda um viveiro especializado em uma planta ainda pouco utilizada na região, mas com interessantes potencialidades: o mogno africano. O espaço de cultivo pertence à Instituto Brasileiro de Florestas (IBF).
O diretor-presidente da entidade, Solano Aquino, destaca a alta lucratividade da espécie. “Por ser requisitado internacionalmente, o mogno africano pode render até R$ 500 mil de lucro líquido por hectare após 20 anos de cultivo”, destaca.
Segundo ele, o mogno africano é da família das madeiras tropicais duras e leva vantagem sobre o eucalipto, que é considerada uma madeira leve.
“É uma árvore com ótima adaptação ao nosso clima, quase não tem pragas e oferece baixíssimo impacto ambiental, muito menor do que uma lavoura comum, de soja por exemplo. Além disso, a localização estratégica do Paraná possibilita ganhos importantes para o produtor através do mercado internacional”, destaca Solano.