Os moradores da região pagaram, no ano passado, mais de R$ 200 milhões em impostos. Em média, foram pagos R$ 548,1 mil por dia nos 26 municípios do Vale do Ivaí mais Arapongas. Neste começo de ano, a média já é 23% mais alta, com o pagamento diário de R$ 674,1 mil em tributos. Apesar do grande volume pago, economista critica falta de eficiência na aplicação do dinheiro.
Ao longo de 2017, os brasileiros pagaram R$ 2,170 trilhões, crescimento de 8,4% em relação ao ano anterior, sem considerar a inflação. Na região, o valor ficou em pouco mais de R$ 200 milhões. Arapongas foi o município onde mais se pagou impostos: R$ 81,6 milhões, ou 40,8% do total da região. Apucarana ficou em segundo lugar, com R$ 56 milhões, ou 28%. Em Ivaiporã, o valor ficou em mais de R$ 15,7 milhões (7,85% da região).
Os dados são do Impostômetro, sistema desenvolvido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) que calcula a quantidade de tributos pagos pelos contribuintes em todo o país. A ferramenta é uma projeção criada há sete anos com o objetivo de conscientizar o cidadão sobre a alta carga tributária do país e incentivar a cobrança para que os governos ofereçam serviços públicos de qualidade.
Nos dois primeiros meses de 2018, o pagamento dos impostos já resulta em um montante considerável na região: quase R$ 39,8 milhões. Em média, significa que os contribuintes do Vale do Ivaí mais Arapongas pagaram R$ 674,1 mil em cada um dos 59 dias de janeiro e fevereiro deste ano, valor 23% acima do que no ano passado. Vale ressaltar que muitos tributos, como IPTU e IPVA, são cobrados neste início de ano, o que eleva a arrecadação no período.
O economista Marcelo Vargas, do campus de Apucarana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), critica a eficiência com que o dinheiro dos impostos é aplicado. “A chamada ‘máquina pública’, no Brasil, é muito inchada. Boa parte do dinheiro serve para pagar funcionários públicos, tanto da ativa quando aposentados, e manter os serviços já existentes, que não são realizados no nível esperado. Já o dinheiro que vai para a melhoria dos serviços e para novos investimentos, como por exemplo a construção de escolas e hospitais, é muito mal aplicado. Não são poucas as obras que recebem constantes aditivos em seus valores finais, fora os desvios de verba, como vemos através da Operação Lava-Jato e muitas outras”.
Ele lembra que a própria arrecadação de tributos é feita de maneira equivocada, aumentando a desigualdade social. “Em países mais desenvolvidos, a maior parte da tributação acontece sob o patrimônio. Já no Brasil, a maior fatia sai das relações de consumo. Isto cria um problema, porque iguala a tributação de ricos e pobres, obviamente pesando mais no orçamento de quem ganha menos. Mudar esta lógica é um caminho importante para tornarmos o Brasil um país mais justo”, destacou.