Cerca de 190 mil pessoas estão sem a cobertura vacinal contra a febre amarela na região. O número, que corresponde a 52% da população da 16ª Regional de Saúde (RS), foi revelado ontem durante encontro com secretários de saúde e profissionais da área dos dezessete municípios que integram à unidade. Municípios saíram da reunião com a missão de aumentar a cobertura vacinal da febre amarela principalmente entre pessoas com 15 e 59 anos de idade.
O reforço foi feito diante do avanço da doença em Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, que faz divisa com o norte do Paraná. Os estados de Tocantins e Bahia também registraram casos suspeitos de febre amarela. Ontem, o Ministério da Saúde (MS) confirmou 215 casos da doença, outras 765 situações são investigadas. Já o número de mortes subiu para 70. Todas as ocorrências são de febre amarela silvestre e representa uma letalidade de 32%.
O MS enviou recentemente 9,9 milhões de doses de vacinas enviadas aos estados, uma vez que o imunizante é considerado o principal meio de prevenção contra a doença. “Nós temos vacinas em quantidade suficiente para atender aos municípios. Também frisamos, durante a reunião, que o município que constatar que vai precisar de mais doses que o habitual, uma vez que a vacina faz parte do calendário de vacinação, já faça o pedido”, ressalta a diretora da 16ª RS, Clara Ilza Lemes de Oliveira.
Ela explica ainda que, caso o município não tenha lugar para armazenar uma quantidade maior de doses, a RS vai ceder espaço na câmara fria. A medida visa garantir, desta forma, vacinas para toda a população. Para isso, os profissionais de saúde, que trabalham com vacinas, na atenção básica ou no Programa Saúde da Família (PSF), são chamados a intensificar o trabalho de orientação sobre a importância de tomar a vacina de febre amarela. “Nós tivemos uma reunião semana passada com a Secretaria de Saúde (Sesa), em Curitiba, que alertou que o Paraná não está livre da introdução do vírus da febre amarela. Por isso, precisamos reforçar a cobertura vacinal”, assinala.
Clara lembra de um caso de febre amarela importado que foi registrado em 2016 no município de Arapongas. “Esse caso revela como o vírus pode ser introduzido em uma região. Neste caso, a pessoa contraiu a doença durante uma pescaria em Mato Grosso. Pedimos principalmente para pessoas que viajam para áreas endêmicas que tomem a vacina”, frisa.
A diretora da 16ª RS lembra que a vacina deve ser tomada com um prazo de dez dias de antecedência da viagem, que o período o imunizante leva para agir no organismo. “Pedimos principalmente para os caminhoneiros e para as pessoas que gostam de praticar turismo de aventura checar a carteirinha de vacinação. Caso tenha dúvida, que procure uma unidade básica de saúde”, orienta. O ciclo de imunização fica completo com duas doses da vacina
Imunizante tem restrições
A diretora da 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana, Clara Ilza Lemes de Oliveira, observa que gestantes, mães que estão amamentando e pessoas com imunodeficiência não devem tomar a vacina. “No caso de idosos, a indicação deve ser feita por um médico, que irá avaliar o quadro de saúde do paciente”, diz. Pessoas com doenças crônicas também devem ter o quadro avaliado por um profissional de saúde.
Quem tomou duas doses da vacina já está protegido. A vacina, no calendário de vacinação atual, deve ser tomada a primeira dose aos 9 meses e a segunda aos 4 anos. Quando adulto, o intervalo entre uma dose e outra é de 10 anos, o que gera o esquecimento em muitos casos de fazer a dose de reforço e completar o ciclo vacinal.
Clara também pede que moradores de áreas rurais também procurem unidades de saúde para tomar a vacina e também comuniquem profissionais de saúde caso encontre algum macaco morto, para que possa ser investigado. “Para a população urbana pedimos que elimine focos do mosquito Aedes aegypti, porque é ele o transmissor do vírus nas cidades”, frisa. Desde 1942 não é registrado caso da doença na área urbana.