No ano passado, 567 pessoas foram vítimas de acidentes com animais peçonhentos na região. Os números são da 22ª Regional de Saúde de Ivaiporã e 16ª Regional de Saúde de Apucarana, que apontam que apenas em 2018 já foram registrados 462 atendimentos na rede de saúde motivados por ataques de aranhas, serpentes, abelhas, escorpiões e lagartas. Com a proximidade do calor, quando o número de ataques cresce em torno de 40%, a Secretaria de Estado da Saúde está fazendo um alerta.
Na 22ª RS de Ivaiporã, que tem área de abrangência de 14 municípios, no ano passado foram registrados 263 casos. Até o final de agosto deste ano, já haviam sido registrados 213 acidentes. Os acidentes causados por aranhas lideram em número de casos, foram 88, o que equivale a 41% do total, seguido por serpentes (34), abelhas (23), lagartas (13) e escorpiões (07).
Nos dezessete municípios pertencentes à 16ª RS de Apucarana, as aranhas também lideram em número de acidentes. Dos 248 registrados neste ano, 92 foram ocasionadas por aracnídeo, 31% do total. Na sequência, aparecem ataques de lagartas (58), abelhas (40), serpentes (32) e escorpiões (21).
Conforme Claudia Valéria da Silva Alves, coordenadora regional da vigilância de animais peçonhentos da 22ª RS, os números preocupam. “É bom lembrar que os dados foram compilados até agosto. Nos próximos meses, o clima fica mais propício ao surgimento desses animais em decorrência das chuvas e da elevação das temperaturas”, comenta.
Nos últimos anos, a regional registrou apenas uma morte por acidente com peçonhentos. No ano passado, uma mulher idosa no município de Cândido de Abreu morreu depois de ter um acidente com uma colônia de lagarta lonomia que se encontrava num pessegueiro.
Claudia explica a mulher ao tocar o animal em um tronco de árvore demorou a buscar auxilio médico. “Ela procurou o serviço de saúde 24 horas depois do acidente, ficou muito tempo com a toxina no organismo sem utilizar o soro. Por isso a importância de não deixar para depois e levar a pessoa que sofreu o acidente o mais rápido possível para o atendimento médico mais próximo”.
Para Claudia, o manejo ambiental é a estratégia mais segura e eficaz para evitar o surgimento de animais peçonhentos. “O morador precisa manter o quintal limpo, organizado e em boas condições. Quando o animal peçonhento for encontrado na residência, o morador deve informar à Secretaria Municipal de Saúde, que já possui profissionais capacitados para realizar sua busca e captura”, comenta.
Primeiros ataques de escorpião amarelo são registrados
Na região, o que vem chamando atenção é a proliferação do escorpião amarelo. A espécie é mais agressiva. Neste ano três acidentes com o escorpião Tityus serrulatus foram registrados, os primeiras tanto na área da 16ª RS e 22ª RS.
Na região de Ivaiporã, Um caso foi registrado no município de Manoel Ribas em março na subestação de Furnas. Outro registro ocorreu em Ivaiporã, em setembro, na região central da cidade, nas proximidades da Paróquia Bom Jesus. Essa espécie é responsável pelos casos de envenenamento grave no Estado do Paraná, chegando a provocar óbitos.
“Nos dois casos foram acidentes com envenenamentos leves, não sendo necessário o uso do soro antipeçonhento. Isso porque foram duas pessoas adultas que se encontravam em boas condições de saúde. Crianças menores de 7 anos e idosos (mais de 60 anos) são as mais vulneráveis ao envenenamento ”, relata Claudia Claudia Valéria da Silva Alves, coordenadora regional da vigilância de animais peçonhentos da 22ª RS.
Na região de Apucarana, um acidente foi registrado no município de Kaloré. Segundo informações da 16ª RS, o caso também não foi grave.
As regionais de Saúde mantém o Plantão de Informações Estratégicas e Respostas de Vigilância em Saúde que atende às Secretarias Municipais de Saúde, com estoque estratégico de Soros Antipeçonhentos, inclusive para os escorpiões T.serrulatus.