De acordo com relatório do Instituto de Águas do Paraná, a região tem, atualmente, 15 barragens construídas em cinco municípios. Diferentemente da que rompeu na última sexta-feira (25) em Brumadinho (MG), nenhuma delas contém rejeitos de minério. Autoridades afirmam que características das estruturas fazem com que situação na região seja considerada tranquila. Dentre as 15, apenas uma, em São João do Ivaí, é classificada pelo órgão estadual como de “alto risco”.
Arapongas é a cidade com maior número de barragens na região. Ao todo, são seis: quatro delas voltadas para irrigação agrícola, uma para abastecimento de água e outra que não tem a finalidade especificada pelo órgão estatal. De acordo com o secretário do Meio Ambiente do município, Luiz Gonzaga Pereira, nenhuma delas apresenta risco.
“Todas as barragens da cidade são fiscalizadas pelo IAP ou pela Sanepar. Todas elas são estáveis e não há nada que indique algum problema que possa comprometer as estruturas. É preciso salientar que há diferenças enormes em relação às barragens da região e à de Brumadinho”, destaca.
Entre as principais diferenças estão tamanho, conteúdo e estrutura. “As barragens da região são sensivelmente menores, além de não terem rejeito de mineração, apenas água. Estas construções são feitas em mesmo nível e com material de alvenaria. Em Brumadinho, além de elevada, a barragem havia sido construída com o próprio rejeito da mineração. Não há nem como comparar a situação de Minas Gerais com a nossa. São coisas completamente diferentes”, destaca.
Em Apucarana, são cinco estruturas catalogadas pela agência do governo do Estado: duas delas para irrigação, outras duas para abastecimento de água e uma para uso industrial. O acompanhamento das estruturas é feito pelas secretarias municipais do Meio Ambiente e de Obras. O secretário do Meio Ambiente, Sérgio Bobig, também garante não haver preocupação com relação às barragens da cidade.
“Todas são estáveis. Não há motivo para nos alarmar. Problemas são muito raros. Recentemente, chegamos a solicitar que a barragem em um pesque-pague da cidade tivesse o volume de água baixado para evitar o rompimento. Foi a única intervenção recente que precisamos fazer e ela foi feita muito antes de surgir algum problema”, diz.
RISCO ALTO
Em São João do Ivaí, uma das barragens catalogadas fica na localidade de Ubaúna. Ela é a única da região classificada na categoria risco alto (todas as outras não têm classificação definida). Construída há aproximadamente 15 anos com autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), ela está localizada a aproximadamente um quilômetro do Rio Ivaí em uma fazenda. Utilizada para a criação de peixes (aquicultura), a barragem fica em uma área plana, num banhado de aproximadamente 20 alqueires.
O prefeito da cidade, Fábio Hidek Miura (PSC), afirma que o risco alto mencionado pelo governo estadual é ambiental e não está relacionado a um eventual problema estrutural. “Não há nenhum risco da barragem se romper. Mesmo se, hipoteticamente, isto acontecesse, não há casas entre ela e o rio, ou seja, não há risco à vida”, diz.
Há ainda outra barragem em São João do Ivaí, esta voltada para irrigação. Também há estruturas em Jardim Alegre (irrigação) e São Pedro do Ivaí
(industrial).
Simepar irá monitorar estruturas
O diretor-presidente do Simepar, Eduardo Alvim, afirmou ontem que o órgão vai agregar tecnologia à ação de monitoramento e proteção das barragens do Paraná. Segundo ele, o instituto está muito ligado ao sistema de Defesa Civil do Estado e, por isso, o trabalho terá muito foco em gestão de risco.
No Estado, estima-se que há mais de 500 barragens de captação de água, sendo que 60 já foram avaliadas para identificar o grau de risco - baixo, médio ou alto. Segundo Souza, não existe nenhum risco iminente à população, mas barragens consideradas de alto risco estão recebendo uma atenção maior.
No Paraná, a maioria das barragens é para uso de irrigação, abastecimento de água, geração de energia, proteção de meio ambiente e recreação. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM) existem no Paraná três barreiras de rejeito de minério. Em Minas Gerais são aproximadamente 450.
Duas delas ficam em Cerro Azul, que extraem fluorita. Com risco médio, elas têm 22 e 13,5 metros de altura. A título de comparação, a barragem rompida em Brumadinho tinha 86 metros.
A terceira barragem paranaense fica em Campo Largo. Ela extrai minério de ouro primário e tem 25 metros de altura.