Com cinco programas de residência em andamento na Autarquia Municipal de Saúde (AMS) e no Hospital da Providência e Materno Infantil, Apucarana se tornou um polo de ensino na área de saúde. A cidade conta hoje com 54 residentes de áreas variadas e 16 estudantes na área médica da dermatologia, saúde da família, cirurgia geral e pediatria. No total, são 70 profissionais vindos de várias regiões do Paraná e de outros estados, fortalecendo a saúde e a economia da cidade.
Entre os residentes que vieram de fora, está o enfermeiro Thales Felipe Castro Rolin, 30 anos, de Londrina, que estuda o segundo ano de residência na área de Saúde Mental. Por incentivo de um de seus professores da Universidade de Londrina (UEL), além de uma bolsa financiada pelo Ministério da Saúde, o enfermeiro veio para Apucarana. Ele se formou em Enfermagem na UEL em 2014 e não parou mais com os estudos. “Quis dar continuidade aos estudos e nesse caminho vim parar aqui em Apucarana”, conta.
Ele não mora em Apucarana. Porém, passa a maior parte do tempo na cidade, mais precisamente no Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil (Caps). “Estou muito satisfeito com essa residência e com os tutores que trabalham nela. A maior parte desses profissionais são bem e se envolvem bastante. Eu só tenho a agradecer a oportunidade de estar aqui aumentando meu conhecimento sobre essa área que admiro tanto”, ressalta.
A psicóloga Thays Correia, 25, é de Irati, Centro Sul do Paraná, e também veio fazer residência em Atenção Básica –Saúde da Família, em Apucarana. “Morava em Irati e quando me formei. A minha prioridade era concurso, mas pensei em fazer a residência primeiro para ter um título e comecei a procurar de atenção básica, que é uma área que gosto bastante. Porém, queria uma cidade de porte médio, acabei encontrando Apucarana”, recorda a estudante do segundo ano de residência.
Diferente dos outros residentes, a enfermeira Nayla Mazzetto, 26, é de Apucarana e acabou ficando na cidade para estudar. “Sou da primeira turma de residência daqui de Apucarana. Nesses 2 anos, tive bastante contato com gestantes e despertou o interesse por obstetrícia, então, ao concluir a primeira residência, repeti o processo seletivo e hoje faço parte da terceira turma, mas no Programa de Enfermagem Obstétrica. Sou R2”, conta.
Nayla está no programa desde seu início e conta que a residência permitiu um olhar mais amplo de sua profissão. “Aprendi melhor a atuar em equipe e com diferentes áreas de saberes, além de conhecer de perto a saúde pública e diferentes pontos da rede de atenção. A residência me fez uma profissional melhor. Cresço a cada dia, aprendendo em serviço, com o auxílio dos meus tutores, preceptores e colegas de profissão”, reforça.
Residentes fortalecem saúde e economia local
Para o diretor-presidente da Autarquia Municipal de Saúde, Roberto Kaneta, os programas de residência promovem a saúde pública, reduzindo a fila de espera em especialidades médicas e gerando novos protocolos e pesquisas para a área. Kaneta também destaca que a vinda de profissionais de fora da cidade reflete na economia do município. “Temos vários residentes de fora que frequentam o comércio de Apucarana e também trazem pessoas de fora para a cidade, fortalecendo a economia local”, explica.
De acordo com Francieli Nogueira Smanioto, coordenadora da Comissão de Residência Multiprofissional de Apucarana, o residente conta com a supervisão de um preceptor, o profissional de serviço, e um tutor, docente da instituição vinculada ao aluno. O programa tem duração de dois anos e são 54 residentes que atuam nos três programas: Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica/Saúde da Família, Residência Multiprofissional em Saúde Mental e Residência em Enfermagem Obstétrica. A AMS tem, ainda, programa de residência médica nas áreas de Dermatologia e Saúde da Família.
Residências médicas
A oferta de ensino especializado em saúde no município foi iniciada pelo programa de residência médica do Hospital da Providência. Implantando em 2014, o programa está no quarto ano e já formou 14 especialistas. Segundo Leonardo Marchi, médico coordenador da Comissão de Residência Médica (Corome), do Hospital da Providência, atualmente o programa tem são seis vagas para residência de clínica médica distribuídas em dois anos. São quatro vagas em Cirurgia Geral distribuídas em dois anos, seis vagas em Pediatria divididas em dois anos. “Tem residentes do Paraná, Santa Catarina, Alagoas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo”, conta.
Segundo médico, o programa de residência vinculado ao hospital Nossa Senhora das Graças de Curitiba. Além disso, os cursos têm bolsa do MEC, com duração média de dois anos.