Casos de roubos de veículos dispararam nos municípios do Vale do Ivaí no último ano. Segundo relatório da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Paraná (Sesp), em 2016, quatro veículos foram roubados em média por semana, o que representa um aumento de 100% quando comparado com o ano anterior, 2015. Em números, nos doze meses de 2016, foram 198 veículos roubados de seus proprietários.
Nos casos de roubos, além do dano financeiro seja para o proprietário ou seguradora, está a violência. Um caso foi vivenciado pelo dentista apucaranense Gilson Adriano Serea em junho de 2015. Ele foi assaltado no Distrito do Pirapó, por volta das 22 horas, quando chegava na casa dos sogros. “A minha esposa entrou com a minha sobrinha e eu fiquei no carro com as crianças, na época, com 3 e 6 anos. De repente, um homem surgiu do meu lado e apontou uma arma”, recorda.
Segundo Serea, o assaltante estava escondido atrás de um arbusto e pediu o carro. “Eu consegui ficar tranquilo e pedi para que retirar as crianças do banco de detrás. A minha maior preocupação era que saísse com o carro com os meus filhos, mas ele parecia tranquilo também e autorizou. Eu disse que o carro tinha seguro que nem iria acionar a polícia”, diz.
Porém, a esposa, do interior da casa, visualizou a situação e acionou a Polícia Militar, que chegou minutos depois, mas não conseguiu recuperar o veículo. Um Honda Civic, que foi localizado dois meses depois numa cidade do Mato Grosso do Sul.
Depois do assalto, o dentista revela que ficou mais cauteloso no trânsito. “Fico atento antes de chegar em casa e também não gosto de parar no semáforo à noite, para isso, já olho de longe se vai fechar ou não. Antes, eu não me preocupava”, afirma.
Diferente de Sereia, o designer gráfico, Fernando Hudson Alves, de Apucarana, teve a moto, uma Honda Twister, furtada no final de 2015. “Fui levar um tablet, para um cliente na FAP (Faculdade Apucarana) e, quando voltei, a moto já não estava mais no local onde havia deixado”, diz.
O designer acabou no prejuízo. Ele, que não tinha seguro do veículo, também não conseguiu recuperar a moto. “A sensação foi de impotência”, resume. Porém, a partir do furto da moto, Alves também passou a ficar mais atento. “Hoje em dia, tenho mais cuidado onde ando, porque, mesmo se tratando de um lugar conhecido, tive a moto furtada”, observa.
Situações de furtos tiveram um aumento de 8,95% de 2015 para 2016. Por outro lado, os números de veículos recuperados, que incluem tanto furtos e roubos, também tiveram alta na região. Em 2015, 369 veículos foram recuperados. Já no ano passado, o número subiu para 406, um alta de 10,03%. Os números abrangem os 26 municípios do Vale do Ivaí.
VISADOS
De acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), o veículo mais visado pelos bandidos no Brasil é o Celta, da Chevrolet. O segundo lugar na preferência dos bandidos é o Fiat Stilo. Já o terceiro lugar de veículos mais roubados é do Hyundai HB20
Procura por seguro aumenta 30% em Apucarana
Com avanço de casos de furtos e roubos, a seguradoras também perceberam um aumento na procura por seguro. Empresas ouvidas pela reportagem avaliam que a procura cresceu cerca de 30% nos últimos meses. E não são somente carros que estão na lista de itens segurados, mas as bicicletas também, além de casas e empresas.
Na avaliação do corretor Juliano Silva, a cultura do seguro tem aumentado nos últimos anos. “Tem aumentado a busca por seguro não só de veículos para casos de furtos e roubos, mas também de sinistros, como colisões. Além disso, recentemente está ocorrendo vários casos de furtos de pneus estepe”, sublinha.
O também corretor Murilo Bastos, de Apucarana, observa que em períodos de crise geralmente aumenta a busca por seguro justamente por ter uma alta de danos ao patrimônio, como os casos de furto e roubo de veículos e também de residências e empresas.
Na visão das seguradoras, além dos veículos de passeios, as caminhonetes estão entre os veículos mais visados pelos criminosos na região, em especial, para despachar no Paraguai. “O bandido rouba o carro de acordo com a sua necessidade. Se for para fugir da polícia vai buscar um esportivo mais potente; agora se for para transportar algo, vai procurar um utilitário”, exemplifica Bastos.