Com o início da colheita do trigo na região de Ivaiporã, a expectativa dos produtores é de boa safra. Desde o início da semana, as colheitadeiras percorreram perto de 15% das lavouras, que neste ano foram reduzidas a 133,8 mil hectares, com recuo de 3% em relação ao ciclo anterior. Contudo, apesar da área menor é esperada uma safra maior por conta do aumento da produtividade. O Paraná deve colher 3,3 milhões de toneladas de trigo apesar de ter reduzido a área em 20%. Agora o que preocupa o produtor é o preço.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), o rendimento menor de 100 sacas por alqueire nas colheitas iniciais foram prejudicadas pelas chuvas das últimas semanas. Nos cerca de 113,8 mil hectares que ainda precisam ser colhidos, 90% das plantações encontram-se em bom estado.
Segundo o técnico Mário Aparecido Iurino, do Deral, a expectativa é que a colheita seja concluída em no máximo 40 dias. “No geral, o trigo foi beneficiado com a temperatura mais baixa e boas precipitações. Porém, os produtores que tinham previsão de colheita para a semana passada e no início desta semana foram prejudicados pelas chuvas”, explica Iurino.
O agricultor de Jardim Alegre, José Marques Ferreira, que cultivou 13 alqueires de trigo colheu sua primeira lavoura de seis alqueires. “Não posso reclamar, nessa primeira área estou colhendo 120 sacas e com pH acima de 78. Ele relata ainda que neste ano as lavouras estão atrasadas em virtude dos produtores terem plantado mais tarde para fugir da geada.
“Deu certo, para a próxima safra vou repetir essa mesma prática”, comenta Ferreira. O pH citado pelo agricultor define a qualidade do produto. Grãos com pH abaixo de 78 são considerados de baixa qualidade.
O produtor Luiz Cesar Fornel, deve começar a colher 600 alqueires do cereal no próximo sábado, nos municípios de Faxinal e Ortigueira. “A expectativa é de colher cerca de 120 sacas. Se tivesse começado a colher hoje com certeza teria um trigo com pH acima de 78, qualidade espetacular. Mas, se der cinco dias de chuva, todo o trabalho dos quatro meses vai por água abaixo”, explica Fornel.
Para Fornel o grande problema desse ciclo está sendo o mercado do cereal. “Preço ruim, plantamos com preço de R$ 48 e hoje não chega a R$ 38 e arrisca sair fora de mercado”. Segundo o produtor, essa oscilação habitual para baixo na época da colheita desestimula a produção do grão na região. “Tanto é que no ano passado plantei mil alqueires, neste ano 600 e no próximo ano vou plantar 300”. Nos 400 alqueires que Fornel deixou de plantar trigo, ele substituiu por milho e aveia. “Está compensando muito mais”.
Fornel diz ainda pelo atual sistema de mercado, a tendência do produtor da região é deixar de plantar o cereal. “As contas começam a vencer agora dentro de 10 dias e se por infelicidade o trigo cair mais ou sair de mercado vamos pagar 3 a 4% de juro. Infelizmente o trigo está ficando inviável e as autoridades não vêm isso”, reclama Fornel.