A colheita do trigo iniciou na regional de Ivaiporã da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), que abrange 22 municípios do Vale do Ivaí e do centro do Estado. No entanto, o início da safra tem deixado os produtores de cabeça quente. Por conta da estiagem, a quebra supera 50% da produtividade média da região em determinadas áreas.
Este ano, o plantio da gramínea atingiu 10 mil hectares. Devido a estiagem de abril, o rendimento do cereal tem registrado média bem menor que outras safras. As primeiras colheitas vêm apresentando produção de 60 a 80 sacas por alqueire. Com condições hídricas adequadas, a média na regional é de 140 sacas por alqueire. Até ontem, a entretanto, colheita tinha chegado a menos de 5% da área plantada.
Em Jardim Alegre, o produtor Wilson Jean Domingos colheu anteontem 80 sacas por alqueire, em área de oito alqueires. “Muito fraco, com o clima normal teria colhido 170 sacas. O pior que na hora de entregar na cooperativa, o pessoal diz que não dá pão e o preço cai lá embaixo. Desse jeito não tem como continuar com o trigo”, comenta, referindo-se a qualidade do grão colhido.
O produtor Bauer Pereira de Lima vai iniciar a colheita nos próximos dias em área de 18 alqueires, também em Jardim Alegre. Ele diz que está preocupado com o resultado da safra e já começa a contabilizar os prejuízos. “Plantei para tomar prejuízo de novo. Com a seca, morreram todos os perfilhos, então devo colher como o pessoal está colhendo por aí, de 60 a 80 sacas”.
Ele relata que no ano passado também levou prejuízo com a gramínea. “Perdi uns R$ 14 mil. Vendi o trigo a R$ 28 e paguei minha dívida a R$ 32 e, neste ano, deve ser a mesma coisa. A gente gosta de plantar, mas desse jeito que está no ano que vem a tendência é deixar a terra na capoeira, o único plantio que ainda dá alguma coisinha é a soja”, reclama.
O engenheiro agrônomo Sergio Carlos Empinotti, do Departamento de Economia Rural (Deral) relata que o produtor de trigo que atrasou o plantio vai ter colheita melhor do que quem plantou no início do ciclo. A planta semeada mais tarde conseguiu melhores condições hídricas e poderá render até 140 sacas.
“Mas são poucas lavouras nessas condições. A região terá rendimento de tudo que tamanho, mas na média 70% dos produtores deverão colher entre 60 e 100 sacas. Em outras lavouras não vão colher nada”, comenta.
Conforme o agrônomo, a safra de trigo este ano deve ficar marcada pelo prejuízo. “Serão poucos os produtores que não terão prejuízos. Quem colher menos de 100 saca vai ter dificuldades”, completa Empinotti. O mercado do trigo ontem em Ivaiporã estava em R$ 44,00 a saca.