Criadores de frango de corte estão apreensivos desde que a Polícia Federal (PF) deflagrou a ‘Operação Carne Fraca’. Alguns frigoríficos investigados exportavam carne de frango para outros países, que anunciaram sanções para a carne brasileira. Criadores de Apucarana estão receosos com os impactos dessas sanções, que podem derrubar o preço no mercado de aves e até inviabilizar a produção.
A ‘Operação Carne Fraca’ foi realizada há pouco mais de uma semana, mas ainda provoca reflexos. No último dia 17, equipes da PF cumpriram mais de 300 mandados judiciais em frigoríficos investigados por suspeita de adulteração de carne.
“Acredito que os responsáveis pelos crimes devem ser punidos. Mas não se deve generalizar, como foi feito em alguns momentos. Os produtores acabam sendo os mais afetados”, afirma Osvaldo Bueno, proprietário de uma granja em Apucarana com capacidade para cerca de 17 mil frangos.
Críticas foram feitas à forma como a operação foi desenvolvida e divulgada, inclusive por especialistas da própria PF, que afirmam que os problemas seriam pontuais. Mas isso não tem impedido que a apuração sobre pagamentos de propina e produtos adulterados respingue em companhias que sequer foram citadas na investigação.
“Pode ser que os frigoríficos e empresas reduzam a produção, já que o mercado externo está receoso. Muitos países já cortaram as carnes brasileiras. Outro problema que pode acontecer é que, com dificuldades de exportação, esses frangos sejam colocados no mercado interno. Isso faria com que o preço caísse muito, gerando prejuízo para nós”, diz Bueno.
EXPORTAÇÕES
A operação desencadeou o embargo total ou parcial das carnes brasileiras em pelo menos 51 países, o que inclui importantes mercados, como a China, o Japão e toda a União Europeia. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) calculou que, na primeira semana de sanções, as perdas registradas nas exportações de frango e suínos já somavam US$ 40 milhões. De acordo com a ABPA, os bloqueios representam 20% da receita das exportações de carne de frango.
Osvaldo Franzin e o filho, Fábio, também estão com medo do que pode acontecer. “Somos uma granja pequena, familiar, com criação de até 20 mil cabeças de frango. Todas elas vão diretamente para exportação. Trabalhamos com frango há 14 anos e nunca tivemos problemas. Mas, se algo acontecer, podemos ter um prejuízo de mais de R$ 13 mil”, afirma Osvaldo.
O frango de corte é, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), a produção que mais gera valor em Apucarana. O Valor Bruto de Produção (VBP) do município de R$ 292,3 milhões. O frango de corte é responsável por cerca de 45% desse valor, tendo gerado R$ 131 milhões. Em segundo lugar ficou a soja, com distantes R$ 61,4 milhões gerados. O município possui cerca de 200 aviários.