Os vários dias em que Apucarana e Arapongas ficaram sem abastecimento de água nesta semana evidenciam a falta de uma alternativa para a captação das duas cidades. A própria Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) reconhece essa necessidade. O presidente da empresa, Mounir Chaowiche, ressalta que é preciso procurar alternativas para que as cidades não fiquem à mercê de apenas uma fonte. Ele prometeu uma definição até fevereiro para a escolha da alternativa mais viável. Duas propostas estão sendo estudadas.
Chaowiche esteve em Apucarana e Arapongas anteontem e, na oportunidade, falou com jornalistas sobre as alternativas estudadas para prevenir a repetição de problemas com a extensão observada. Após a alta incidência de chuvas, sobretudo ao longo de segunda (11) e terça-feira (12), problemas na captação de água deixaram Apucarana inicialmente com apenas 25% do abastecimento e Arapongas com 10%, porcentagens que foram aumentando ao longo da semana. Atualmente, Apucarana está com praticamente todo o sistema recuperado. Em Arapongas, isso deve acontecer hoje.
“A primeira coisa que o prefeito fez quando cheguei aqui foi cobrar alternativas para a captação de água. Nós atenderemos essa solicitação. Temos duas alternativas e iremos definir qual escolheremos até fevereiro. A ideia é garantir a captação de água para os próximos 50 anos em Apucarana”, garante Mounir Chaowiche.
No início de 2015, a Sanepar realizou a elaboração de um Plano Diretor de Recursos Hídricos para toda a região norte do estado. O diagnóstico para Apucarana e Arapongas era de que ambas as cidades precisam de um novo manancial de captação. O documento sugere o Rio do Cerne como melhor alternativa para Apucarana. Atualmente, a captação no município é feita no Rio Caviúna e, em situações emergenciais, no Rio Pirapó. Já em Arapongas, a captação é feita no Ribeirão dos Apertados, e a alternativa seria integrar o sistema da cidade com o de Londrina e Cambé.
“Iremos levar em conta esse documento. Essa é uma das nossas alternativas. Mas temos um outro projeto de ação integrada ainda mais amplo, aos moldes do que é feito em Curitiba. Na capital do estado, o abastecimento é integrado com diversas outras cidades. Estamos estudando algo semelhante envolvendo as cidades de Apucarana, Arapongas, Rolândia, Cambé e Londrina, interligando as redes desses municípios e construindo uma nova estação de captação no Rio Tibagi. Essa, inclusive, é a alternativa mais bem vista pelo Governo Estadual, por tratar de uma só vez das duas cidades”, afirma o presidente da Sanepar.
Prefeituras reforçam necessidade de mudanças
O prefeito de Apucarana, Beto Preto (PT), destacou o anúncio do presidente da Sanepar, Mounir Chaowiche, de que a cidade terá um novo sistema de captação. “Uma nova captação para Apucarana é essencial, visto que já tivemos outros problemas no passado. Já tivemos períodos de estiagem e o Caviúna se mostrou ineficiente para atender a demanda da cidade. Apucarana cresce mais a cada dia e precisa de um sistema de abastecimento de água à altura”.
Em Arapongas, a prefeitura também viu de forma positiva a visita de Chaowiche à região. “Essa é uma medida urgente. O sistema implantado em Arapongas já não comporta mais o tamanho da cidade. Precisamos pelo menos de estudos para viabilizar alternativas em casos de urgência, como o ocorrido nesta semana. O Ribeirão dos Apertados já chegou ao seu limite e uma nova fonte é inquestionável”, afirma Alcides Livrari, secretário municipal de Governo.